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23/06/2011

Sete Pecados Capitais: escândalos e interesses particulares podem rachar o G-4

Os escândalos protagonizados por parlamentares integrantes do G-4, aliados aos interesses de ordem pessoal, podem determinar um racha no Grupo. A situação deve começar ser analisada criteriosamente pelo presidente Luiz Carlos Sanches (PTB) se quiser sobreviver a essa tormenta.

Viagens comprometedoras com dinheiro público; utilização de veículos da Casa para possíveis fins particulares; os famigerados notbooks que causaram repercussão mundial espalhados por residências e escritórios particulares; intrigas políticas e infidelidade de ordem pessoal e partidária dão à ordem do dia: “Os Sete Pecados Capitais”.

O assunto havia sido abordado na matéria no dia 21, sob o título “Câmara de Tupã é chantagista e promíscua”. A psicóloga Lúcia Monteiro, pós graduada pela FGV, mestranda em Gestão Estratégica, diretora da Visão Consultoria, com experiência em treinamento motivacional de equipes, liderança e diagnósticos, exemplifica com precisão a questão dos 7 pecados capitais.

A situação exposta pela psicóloga cabe como uma carapuça para a Câmara de Tupã. Sob efeito da Ira, detecta-se a destruição do patrimônio da empresa seja na iniciativa privada ou pública. “Por baixo de toda ira quase sempre há o medo de errar, de expressar-se, de perder espaço. Ao invés de tremer as pessoas atacam para defender-se de seus fantasmas”.

Quais são os fantasmas que rondam o Legislativo tupãense e, agora, mais recentemente a extensão da Câmara, o prédio da TV? A especialista segue seus raciocínio, explanando sobre os 7 pecados capitais, a Gula: “na simbologia a gula significa voracidade”.

Essa voracidade desenfreada do ex-presidente Antonio Alves de Souza, “Ribeirão” (PP) de comprar equipamentos (notbooks) de última geração desnecessariamente é um exemplo típico de gula.

Os notbooks não influenciaram em nada nos “relacionamentos” de trabalho e ou de produtividade do Legislativo. Nunca vi pela sessão transmitida da Câmara pela TV do “Povo”, qualquer vereador fazendo uso do equipamento. Ao que me parece, com uma exceção: Lucas Machado (PSDB).

Os assessores já possuem computadores; os vereadores têm seus afazeres particulares (vende carro, mandioca, é advogada, vende desinfetante, é pastor, professor, motorista, médica, administrador, enfim) não vai ter tempo de ficar manuseando um notbook, quando esta não é sua ferramenta de trabalho no dia-a-dia, por mais que a modernidade esteja relacionada aos dias atuais.

Ao contrário, Augusto Fresneda Torres, “Ninha” (PSDB) nõa usa o notbook, mas usaria o automóvel do Legislativo para eventualmente se beneficiar do bem público na aquisição e comercialização de carros trazidos de São Paulo para o comércio de garagistas da cidade. O carro sim, faz parte do seu negócio.

Quanto ao notbook, a partir da divulgação dessa matéria, Luiz Carlos Sanches terá como missão descobrir onde eles estão. E mais um carro de luxo foi adquirido recentemente pela Câmara, um Ford Fusion.

A TV Câmara vai ter um link avaliado em R$ 80 mil para transmitir ao vivo, com exclusividade qualquer fato que acontecer na cidade. Menos os que de fato, interessariam ao povo. O que os vereadores fazem com os bens públicos.

A especialista em psicologia do comportamento continua abordando os 7 pecados capitais e trata agora da Inveja. Em determinado trecho de sua observação diz: “geralmente quando o discurso é de um jeito e as ações não são coerentes com ele”. Essa tem sido uma atitude comum no “par-lamento” tupãense. O que se fala não é o que se pratica.

É como diz o ditado; “Faça o que falo, mas não o que faço”. Em sua dissertação sobre o tema a psicóloga Lúcia Monteiro explica “que nas organizações fica caracterizada a inveja quando determinados projetos são ofuscados em seu “brilho”, vemos também a procrastinação e os processos de “fritura”, geralmente quando os discursos e as ações não são coerentes com ele”.

Incoerência é o que não falta na política tupãense. Os políticos costumam classificar “ciúmes de homem” como o principal flagelo no meio político. Entendem ser pior que ciúmes de mulher. Como esses pecados são subjetivos, “o que deixa a inveja bem caracterizada é a sua expressão pelo comportamento não verbal, o olhar, principalmente”, explica a psicóloga.

O problema é que na política tupãense não existiria ciúmes? Ciúmes de quem? Inveja de quem? Então, o que existiria seria o Orgulho. Há quem acredite ser melhor que o outro. Outro pecado capital. “Eu sou vereador e não aceito um motorista dirigindo como vereador ou vice e versa”. Valdir de Oliveira Mendes, “Valdir Bagaço” (PDT) sofreu com isso.

Sem pestanejar, depois de ser alvo da soberba, buscou consolo no Executivo. Pensando por cima dos padrões éticos, deixou de ser visto como motorista da Câmara. Mas também nunca foi visto como motorista efetivo do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB). Virou um possível e orgulhoso fantasma.

Advertido por técnicos da Câmara de que a situação poderia se complicar, acreditou que seria melhor que os outros e que teria dado a volta por cima. Caiu em desgraça. Respondeu a sindicância e agora enfrenta um processo administrativo. Poderá ser mandado embora a bem do serviço público como motorista e, ainda, perder até o cargo de vereador por improbidade administrativa.

A mesma improbidade que pode ficar configurada na atitude do secretário de Governo, Adriano Rogério Rigoldi e do prefeito que responde de forma solidária. Afirmavam que Valdir Bagaço trabalhava. Mas um exame grafotécnico pode apontar possivelmente que o “controle” era feito pelo próprio interessado e sua assessoria.

Matéria específica sobre o assunto, foi divulgada aqui, em 13 de maio sob o título: “Exame grafotécnico poderá apontar quem assinava ponto no gabinete”.

Em nome de um interesse comum, de cunho estritamente pessoal, foram avarentos. “Quem não consegue lidar com a transparência, entra num clima defensivo”, justifica a mestranda Lúcia Monteiro.

Como o balcão de troca entre Executivo e Legislativo não pode ser explicito, por mais que todos saibam e até o prefeito advertiu que não ia mais permitir, agora dá para entender como Valdir Bagaço e Valmir Zorato, “Padre Paçoquinha” (PTB) se omitiram e passaram da oposição para defender os interesses da situação e os deles. Quanta Avareza.

Waldemir centralizou tudo no mesmo ninho, embaixo das asas tucanas. Tudo muito cômodo. Preguiçosos. Quem engana o eleitor, se elege como difusor de idéias, defensor dos servidores públicos como motorista e abandona o ideal de trabalho se torna negligente.

“A preguiça não se resume na preguiça física, mas também na preguiça de pensar, sentir e agir”. Para que agir contra o Poder, se é mais fácil ficar ao lado dele e se tornar coadjuvante. Acabam protagonistas da defesa da pessoalidade, improbidade e da imoralidade. Pura Luxúria impulsiva, pecado que tem até conotação sexual.

“Em nome da posição hierárquica, alguns entendem que desfrutam do poder de dominar”, classifica a consultora Lúcia Monteiro. O tema me fez lembrar o vereador da região de Marília que fez “Viagem de Turismo”; cabe também a “Viagem de Negócios” e os assédios morais e carnais do “Rei do Gado”.

Ficção ou realidade: qualquer semelhança é mera coincidência.

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. “Os 7 Pecados Capitais” e o “Rei do Gado”, foram temas de novelas. “Viagem de Turismo” e “Viagem de Negócio” temas do Blog: A Notícia Sobre o Fato, com Jota Neves.

Obs: foi feita apenas uma analogia sobre o texto de Lúcia Monteiro. Uma adaptação para a realidade local. O próximo Fórum de Debates para o Desenvolvimento de Tupã, poderia trazê-la como palestrante.

Lúcia G. Monteiro é psicóloga, pós graduada pela FGV, Mestranda em Gestão Estratégica, Diretora da VISÃO CONSULTORIA, com experiência em treinamento motivacional de equipes, liderança e diagnósticos. luciagmonteiro@oi.com.br