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10/07/2011

Por que a Polícia de Tupã não desvendou os crimes contra homossexuais?

O que hoje é propagado como homofobia no mundo inteiro e, sobretudo, no Brasil (rejeição ao homossexualismo) e, inclusive tema até de abordagem de teledramaturgia; nos anos 90 e começo dos anos 2000 em Tupã, a desconhecida palavra à época, marcou o município e foi tratada como crimes “simples” contra a vida (homicídios).

A Polícia em geral, usa a termologia “serviço de inteligência” quando desvenda um crime ou prende alguém. A própria Polícia também sempre recorre à frase pronta: “não existe crime perfeito”.

Isso me faz supor que o que existiria como nos casos ocorridos em Tupã seria uma investigação mal feito. Nenhum caso de homicídio envolvendo homossexuais foi desvendado.

Em um dos casos, familiares e amigos até ofereceram recompensa de R$ 4 mil para quem soubesse de qualquer informação e ajudasse a Polícia a desvendar o mistério. Nada adiantou. Nenhuma pista. Nenhum crime desmistificado. Por quê? Qual o mistério que envolveu num período curto tamanha violência contra esse grupo de pessoas. Todos os casos com requintes de crueldade.

Quem não morreu, ficou gravemente ferido. Existiria à época algum Serial killer agindo na cidade? Quem era? Ou era um grupo de pessoas que nunca foi sequer identificado e, se foi ninguém ficou sabendo. Nem a Polícia?

Um dos primeiros foi quando da localização do corpo de um homem que estava desaparecido. Encontrado num canavial em Iacri, estava amarrado e com um tiro na cabeça. Em seguida, os casos de um rapaz encontrado enforcado, outros esfaqueados e até apedrejados.

Além destes episódios outros homossexuais foram agredidos violentamente. Um estudante foi torturado e teve até o escroto queimado. Outro teve introduzido no ânus objetos pontiagudos e perfuro-cortantes.

Crimes que chocaram e intrigaram. Já citei aqui em alguma matéria ou em algum comentário sobre a investigação policial que a Polícia como a imprensa não tem bola de cristal. O policial como o jornalista não ficará sabendo de nada se ele não for informado. O bom policial ou o bom profissional de imprensa precisa ter amplo relacionamento para obter informações e a partir daí, checá-las e chegar o mais próximo possível da verdade dos fatos. Das duas uma, ou a Polícia de Tupã não possuiria bons informantes ou não teria bom relacionamento para obter as informações que precisa.

Sê não haveria crime perfeito, só um trabalho mal feito justificaria o mistério que ainda perdura, intrigando famílias e a sociedade. Além do que, não houve justiça sobre os casos mencionados. Ninguém foi preso.

Ainda em 2005, procurei o delegado seccional Luiz Antonio Hauy, para que fizesse um levantamento sobre os inquéritos que investigaram estes casos. Apesar da promessa de que o faria, até hoje, não obtivemos resposta.

Os crimes destas pessoas lembram outros que também não foram esclarecidos. Quem queimou vivo o andarilho “Claudião”, no antigo Calçadão da Potiguaras? Quem “atropelou” e matou um motociclista na vicinal Tupã/Parnaso. E quem matou o vigia da Horta Municipal?

É muito fácil descobrir o óbvio quando há testemunhas. A Polícia diz constantemente que “o serviço de inteligência” fez prender, desvendar e descobrir algo. E nestes casos, não houve “serviço de inteligência”. A inteligência só funciona quando descobre? Presumo então que tenha faltado inteligência para desvendar tantos casos graves ocorridos em Tupã.

Faltou inteligência ou a inteligência foi até onde a capacidade de coragem determinou? A Polícia sempre diz que o “criminoso sempre volta ao local do crime”. Nestes casos, eles voltaram ou não?

Sabemos também que quando envolve crimes contra homossexuais a Polícia encontra uma dificuldade típica. Quem poderia fornecer alguma informação se cala por vários motivos, entre os quais, a discriminação. Até mesmo as vítimas não colaboram com as investigações. Entretanto, a Polícia deveria contar com essa possibilidade e ter caminhos alternativos para descobrir os autores de crimes bárbaros contra a vida e de covardes agressões contra homossexuais de Tupã.

Com a palavra a Polícia. Já o Ministério Público poderia determinar o desarquivamento destes casos para que uma força tarefa fosse iniciada e passar a limpo estes crimes, punindo os autores à bem da verdade e da justiça.