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13/08/2011

Exclusivo: polícia de Tupã pode ter enfrentado “fogo amigo” na tentativa de combater roubo

A Polícia de Tupã pode ter enfrentado “fogo amigo”, na tentativa de combater roubo contra a casa do empresário “Nei da Incoferaço”, na noite de terça-feira (9).

É a única explicação encontrada para tanta desinformação sobre o ocorrido que resultou em três mortes, entre as quais a do policial civil Armando Laurindo dos Santos, 43 anos.

Assim como na matéria anterior, postada ontem (12) sob o título “O colete protagonista da armadilha e dois carcereiros mortos”, fazia vários questionamentos ao trabalho da Polícia, ainda há muitas dúvidas sobre o que efetivamente aconteceu naquela noite.

Há 27 anos atuando boa parte deste tempo na área como repórter policial me dá garantia para duvidar da eficácia do trabalho realizado na noite em que Tupã ficou “manchada” de sangue.

Em diligências por vários setores onde as cenas tiveram desdobramentos encontramos uma série de vestígios que ratificam a preocupação com a ineficiência do trabalho policial.

Eu não consigo entender e o delegado Seccional, Luiz Antonio Hauy poderia explicar, onde estavam os policiais, num total de cinco (5) na hora do fato. A impressão que dá é a de que todos estavam no quintal ou dentro da casa.  E do lado de fora? Era preciso que alguém estivesse ou que no mínimo entrava e saia para averiguar.

Como a Polícia foi surpreendida ao ponto de levar tiros e deixar os acusados fugirem. Teria havido mesmo troca de tiros ou a eventual aproximação dos marginais ensejou num disparo acidental?

Não se trata de defender bandido ou atacar a Polícia. Aqui a análise é sobre o fato e os fatos demonstram situação adversa a que foi noticiada. Dizer que um inquérito vai investigar e apurar é subjetivo, quando muita gente viu e sabe o que aconteceu, porém, estes fatos não serão carreados para o documento que será elaborado pela própria Polícia Judiciária diretamente envolvida na ocorrência.

Aliás, explicações cabem também ao Comando da Polícia Militar. Até onde houve o envolvimento de militares nesta ação? Se não teria havido troca de tiros no começo, teria havido depois, no local onde os corpos foram encontrados?

As armas autoras dos disparos foram apreendidas? Quais projéteis mataram o policial e os marginais? Eles poderiam ser presos? Há um ditado subjetivo que diz: “Ninguém chuta cachorro morto. Acrescento, então estava vivo?”.

Em qualquer situação desastrosa desta, é preciso uma entrevista coletiva para dar explicações. Até que se prove o contrário, a palavra dele tem peso. É uma autoridade e nem por isso, deve deixar de ser questionada. Afinal, o que o inquérito pode apurar não condiz com a “voz” da rua, testemunha ocular dos fatos.

Outra pergunta: será que o disparo de uma arma comum, 32, 38 teria alvejado o colete do policial ao ponto de atingir-lhe a axila, quando sabemos que às vezes até uma moeda é capaz de desviar a trajetória de uma bala.

É preciso transparência numa ação que envolveu famílias alvos de eventual tentativa de roubo, famílias vítimas de mortes e possíveis sentimentos de “culpas” por uma armadilha desarmada no acionar de um gatilho “amigo”…

Mãe do Céu

Outra pergunta que se faz necessária. Quanto tempo demorou entre as supostas trocas de tiros na Rua Tapajós, na Travessa com o nome “Mãe do Céu” e no local onde o corpo do outro acusado foi encontrado na zona Leste da cidade e o suposto encaminhamento aos hospitais?

Quantos tiros os marginais teriam levado e suportado trocando tiros com a Polícia e ao mesmo tempo fugindo, enquanto o policial com um único disparo morreu em questão de minutos?

O que se pretende com essa matéria é exatamente esclarecer os fatos. Porque os fatos não condizem com a realidade natural de uma operação policial que tinha tudo para dar certo, mas deu errado e o tiro saiu pela culatra. É fogo. É fogo amigo. Mãe do Céu.