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14/08/2011

Rota caipira da corrupção: PAC pode ter acelerado desvio de verba também no interior

A Revista Veja desta segunda-feira (15) deve trazer matéria de capa sob o título A Praga da Corrupção. Faz alusão às denúncias contra o Ministério da Agricultura, entre outros, também sob suspeita.

Toda essa corrupção que se têm notícias nos dias de hoje, num volume muito maior que em outros governos tem uma explicação: foi institucionalizada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em nome da governabilidade.

A sucessora de Lula, a presidente Dilma Rousseff sabe disso, e exatamente por ter ficado com a herança maldita sofre para combatê-la sem agredir o seu criador.

Lula já advertiu que “a companheira vai ficar sem base aliada se levar a fogo e ferro”, eliminando pela raiz o cancro que infesta o Poder Central, a começar pelo PR que comandava o Ministério dos Transportes.

O pior de tudo é que tal lá (Brasília) como aqui (interior) a situação não é diferente. Não é à toa que, candidatos a deputados estaduais e federais do PT tiveram votações expressivas nas últimas eleições.

Por trás dessa expressiva votação no interior houve um grande trabalho de lobistas. Claro, há de se levar em conta também que iriam ou estariam representando o governo federal. Mas não é só isso. Esses indivíduos acusados de enriquecimento acima dos padrões normais como Palocci, e outros a alegação é sempre a mesma: prestavam consultoria e suas orientações foram “valorizadas” nos últimos tempos.

A consultoria na verdade pode ser de fachada. Atuariam na realidade como lobistas na intermediação de verbas federais e sob influência de poder, seja prometendo liberação de recursos através de emendas ou até mesmo vencendo licitações com empresas em nomes de terceiros ou laranjas. E como comprovar depois a origem do dinheiro?

O Plano 1

O PAC – Plano de Aceleração do Crescimento do governo Lula sequer conseguiu investir 40% de todo o montante anunciado para diversos setores e, mesmo assim, milhões de reais em recursos passaram pelas mãos de partidos aliados que comandaram e comandam os Ministérios, como o PMDB do vice-presidente Michel Temer.

O PAC 2, lançado para alavancar a candidatura de Dilma Rousseff nem se tem notícia do que efetivamente foi feito. Aliás, o primeiro semestre do governo dela caminha também neste segundo semestre revelando que o PAC pode ter se transformado num possível “Plano de Aceleração da Corrupção”.

Já são cinco os Ministérios sob suspeita. Através de partidos políticos, aliados dos petistas – seus ministros e parlamentares podem ter estendido a corrupção para o interior do Brasil, que antes era comum apenas nos grandes centros.

O PAC possibilitou grandes investimentos também pelo interior do Brasil, como em Tupã, por exemplo. Quando o município teria condições de investir R$ 25 milhões de reais em obras de macro-drenagem? Só seria possível mesmo através de um repasse de R$ 25 milhões para a execução destas obras. Sem a praga da corrupção seria possível fazer muito mais em qualquer parte do Brasil.

Parlamentares e ex-integrantes do governo do PT tiveram essa percepção e passaram a olhar de forma diferente também para as pequenas cidades, sobretudo, porque o programa tem essa finalidade, de dotar os municípios de infra-estrutura.

Um investimento de R$ 25 milhões numa obra em São Paulo talvez seja insignificante, mas para uma cidade de pequeno e ou médio porte é um aporte considerável. É aí que chama a atenção dos oportunistas. Lobistas de plantão e outros infiltrados como intermediários na liberação dos supostos recursos passaram a frequentar também estas cidades.

Não foi coincidência que o Blog tratou sobre este assunto nestes quase três meses de existência. A palavra lobista apareceu em diversas matérias quando o assunto foi verba pública.

Os próprios vereadores foram mais longe – balcão de troca – “os empreiteiros e lobistas que mantém negócios escusos no gabinete do prefeito”, declararam Danilo Agruilar Filho (PSB) e Valdemar Manzano Moreno (PPS) em resposta a Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB).

Seria coincidência o interesse político demonstrado por lideranças locais pelo líder do governo federal, Cândido Vaccarezza? Nas eleições passadas, o prefeito Waldemir e o então presidente da Câmara, Antonio Alves de Sousa, “Ribeirão” (PP) não perderam tempo.

Até o último opositor do PSDB, Carlos Messas (PTB) se aliou ao parlamentar federal. Em troca do que? A Camap ao que parece obteve sucesso na renegociação da divida do Refinanciamento das Cooperativas (Recoop). Quem atuou na negociação? Walter Bonaldo Filho. Quem teria exigido dinheiro pela atuação como lobista?

Ou seja, se a divida da Camap foi renegociada, foi por mérito ou por atuação de lobista ligado ao parlamentar. Teria sido tudo de caso pensado? Os fatos parecem demonstrar isso. Como explicar o fato de que um amigo pessoal de Vaccarezza se tornou secretário de Administração e Finanças do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes?

O economista Walter Bonaldo Filho só deixou a pasta para comandar a campanha do deputado federal Vaccarezza e acabou acusado de dar calote de campanha em profissionais liberais no eixo Marília a Osvaldo Cruz. O trabalho político foi em conjunto com o sobrinho do Ribeirão, Thiago Sousa, agora assessor de Vaccarezza. Também foi neste período que a empreiteira Leão e Leão ganhou licitação de coleta de lixo no município. É a mesma empreiteira que realiza as obras de macro-drenagem?

A empresa até se deu ao luxo de abrir escritório em Tupã. Na cidade a empreiteira é gerenciado pelo cunhado-sócio do secretário de governo, Adriano Rogério Rigoldi. Mas neste jogo de interesse, nem todos “ganharam”. Há quem tenha saído com “menos” do que imaginava, mas apesar de descontente não pode falar.

Seria por este motivo que Ribeirão negociou com o micro-empresário de Tupã o calote de campanha? O Estadão se interessou pela matéria, assim como o Blog e a repercussão ajudou a colocar em xeque a credibilidade do líder da presidente na região. Para Vaccarezza tudo não passa de intriga política. Mas quem a criou? Como foi anunciado foram os próprios assessores dele ou sob o seu comando e, por isso, Ribeirão resolveu interferir no assunto.

Resumindo todo esse emaranhado de interesses se tornou “um terreno fértil” para negócios inexplicáveis.  Empresas que forneceram material para a realização de obras foram pesquisadas e podem ter pagado propina para “ganhar” o negócio. Portanto, não é de duvidar que lobistas e parlamentares que dão sustentação ao governo federal, sob suspeita de enriquecimento repentino podem estar por trás delas, atuando numa “Rota Caipira” da Corrupção. A mesma que escandaliza também agora o governo Dilma Rousseff.

Ou seja, além destes “consultores” usarem de informação privilegiada do governo federal também atuariam como lobistas entre os recursos do povo e as prefeituras. Não seria demais dizer que o PAC foi bem bolado se o dinheiro do contribuinte fosse bem aplicado e se não existisse a corrupção. A sigla também é sugestiva: pelo visto – PAC – Plano de Aceleração da Corrupção.

Desse jeito nenhum Palocci consegue mesmo comprovar renda. A “Casa da República de Ribeirão” em Brasília foi o primeiro caso que resultou na queda do ministro envolvendo o caseiro Francenildo. A referência era sobre a cidade onde morava Antonio Palocci. Assim como o vereador “Ribeirão” recebeu o apelido por ter vindo da terra de Palocci. Deve ser mera coincidência de novo. Foi daí que surgiu a ideia de Lula chamar a sede das investigações da Operação Lava Jato de ” A República de Curitiba”. Não há coincidência!