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21/08/2011

Um repórter no combate à violência

Como repórter ou apresentador de programa específico policial, nunca me furtei de tecer comentários capazes de motivar a população a auxiliar os órgãos de segurança no combate a criminalidade.

Sempre entendi que segurança não se promove de forma isolada. É um conjunto de fatores que podem determinar uma significativa melhora na prevenção de crimes e, sobretudo, auxiliando a Polícia a reprimir os delinqüentes.

As últimas campanhas que realizei, despertei nos habitantes e autoridades de Bastos e Iacri, exatamente este sentimento. Através de junção de esforços entre moradores e representantes do povo, foram realizadas Plenárias, nas quais, estiveram presentes os comandantes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Estas cidades foram contempladas mesmo que temporariamente com reforço de policiais e viaturas de Tupã e até Marília. Assim tem sido uma constante desde minha passagem por Marília e outras localidades.

Através de minhas reportagens investigativas sempre colaborei com o Ministério Público, denunciando bandidos e envolvimento de pseudos policiais infiltrados pelo crime organizado nas corporações da Civil e Militar.

Assim como faz a Polícia, sabem as pessoas que conhecem o meu trabalho, também já ajudei a desbaratar quadrilha de carro dublê. Denunciei o delegado Seccional, Lourival Luiz Viana por envolvimento com o “Rei” do contrabando no país, acusado pelo falecido ex-delegado chefe da Polícia Federal Romeu Tuma.

O delegado Seccional usava carro emprestado pelo contrabandista Fausto Jorge, com o qual foi a festa de aniversário do delegado para o Interior do estado de São Paulo.

Simultaneamente, denunciava o tráfico de drogas e de influência de maus policiais que extorquiam, furtavam e roubavam droga e mantinham traficantes em cárcere privado.

O favorecimento praticado por policiais em detrimento ao efetivo combate ao tráfico internacional de drogas. Há 20 anos, mobilizei as Delegacias Seccionais de Lins, Marília e Assis, apontando que a região já era uma “Rota Caipira” do tráfico internacional.

Para ratificar o que dizia àquela época, o traficante colombiano morto pela Polícia confirmava em entrevista à Revista Veja que Marília era usada como uma de suas rotas para escoar o tráfico pelo estado de São Paulo.

Sou um repórter de campo e cultivei ao longo dos anos, uma rede de informantes (pessoas do povo/ouvintes) que me alimentam com detalhes, por exemplo, sobre o chute na cara de um corpo inerte, durante a morte de um policial em Tupã.

O meu trabalho de reportagem investigativa ajudou absolver três irmãos, inocentes de um crime de homicídio e presos em flagrante pela Polícia. No local do crime, apurei que eles estiveram nas proximidades, mas não haviam assassinado ninguém. Encontrei os verdadeiros assassinos, os entrevistei e a Justiça de Marília determinou o relaxamento da prisão em flagrante.

No final dos anos 80, praticamente um iniciante na arte de retratar os fatos policiais; chegava a Marília, quando do seqüestro do ex-vice-presidente do Banco Bradesco, Beltran Martinez.

A cidade sitiada pelo extinto Grupo Anti-Sequestro (GAS); prédio de escuta telefônica clandestina incendiado e a suspeita de que um grupo poderoso de Vera Cruz seria responsável pelo crime.

Este havia sido o primeiro seqüestro no Brasil, de cunho financeiro, tendo como vítima o banqueiro Antonio Beltran Martinez, cuja à primeira agência havia sido fundada exatamente em Marília. Um dos principais acionistas foi o fundador de Tupã, Luiz de Souza Leão.

O grupo de Vera Cruz era tão poderoso e possuía advogados ardilosos que invertiam a realidade dos fatos ao ponto de acusarem integrantes da Polícia Paulista de tentativa de extorsão e, o GAS foi extinto na ocasião, com a equipe comandada pelo delegado Josecir Cuoco, sob investigação.

Martinez ficou 41 dias em poder de seqüestradores. Foi o primeiro e mais longo seqüestro da época. Ele foi libertado no dia 17 de dezembro, depois do pagamento de um resgate de US$ 4 milhões.

Martinez só conseguiu falar sobre os dias no cativeiro seis meses depois de sua libertação. Segundo disse na época, teve “a sensação desesperadora de que ia morrer”. Beltran fazia tudo o que os seqüestradores pediam, pois temia que qualquer descuido poderia ser fatal.

Enquanto o jornalista Caco Barcellos da Rede Globo era ameaçado no Paraguai por bandidos e o Exército Paraguaio, eu sofria as mesmas ameaçadas de atentado contra minha vida e de amigos. O diretor superintendente da Central Marília Notícias (CMN) Edson Joel, era testemunha das pressões.

No começo dos anos 90, foi encontrado morto o filho do reitor da Unimar, Marcelo Mesquita Serva. Na casa estavam com ele, pessoas influentes da sociedade mariliense, entre as quais, Hilário Maldonado Filho, filho de um reconhecido ortopedista.

Através da Rádio Dirceu, fui o primeiro repórter a informar. Marcelo Mesquita Serva, filho do reitor da Unimar Márcio Mesquita Serva, havia morrido por overdose de cocaína.

Eu não estive dentro da casa da vítima, mas confiava e acreditava na informação que obtive. O empresário do ramo da educação chegou de viagem e ratificou a informação exclusiva que havia dado. e, mais, acusou a Polícia de proteger os envolvidos na morte do filho dele.

Denunciei advogados que acusavam policiais de enxertar drogas nas pessoas e quando defendia a corporação contra eu, os defendia como se fossem vítimas de injuria, difamação e calunia. Contra um deles usei a seguinte expressão: “Quem defende ataca”.

Foi contra o jornalista e advogado criminalista e ex-presidente da OAB-Marília, José Cláudio Bravos. Temendo perder a ação que acusava o Serviço Reservado da Polícia Militar de envolvimento com o tráfico de drogas, preferiu abandonar a ação e fui absolvido.