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22/02/2016

Cadê o dinheiro que tava aqui? Vereadores bateram boca e quase se agrediram

A confusão verbal quase terminou em agressão física após defesa de tese sobre coerência na política. Se envolveram na confusão os líderes do prefeito, Ribeirão e pastor Rudynei, o independente Zé Maria (PROS) e o comunista Luis Alves.

Luis Alves dinheiro

Inconsequente. Irresponsável. São algumas palavras que podem qualificar o vereador Antônio Alves de Sousa, Ribeirão (PP). Atuando no Legislativo há 24 anos, o parlamentar é coerente apenas naquilo que lhe interessa. É um dos vereadores mais nefastos que já atuaram no Legislativo tupãense.

Aliado do ex-prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB) no período de 2005/2011, até às vésperas das eleições de 2012, Ribeirão pactuou com tudo que a administração fez eventualmente de bom e de ruim para o município. Mas o verdadeiro legado é inescrupuloso: 33 obras irregulares.

É justamente neste quesito que Ribeirão cobrou coerência do opositor Luis Alves de Souza (PC do B). “Cadê o seu relatório da CPE das Obras?”. Mas cadê o vereador que deixou tudo isso passar sem fiscalização enquanto Waldemir esbravejava que “não ia mais admitir o balcão de trocas” após sua primeira desavença com Ribeirão, sugerindo que o parlamentar era um negociador de benesses.

Ribeirão na tribuna

Em meados de 1995, quando fui apresentado ao edil de primeiro mandato, ele disse uma frase que não esqueci, mesmo após duas décadas: “se tem uma coisa que sei fazer é ganhar dinheiro”.

E de lá para cá, Ribeirão provou seu gosto pelo dinheiro público. Vive de forma nababesca de seu subsídio de cerca R$ 4 mil mensais, já descontado o imposto de renda.

Por sua vez, o líder do prefeito, pastor Rudynei Monteiro (SDD), que está com um pé no partido presidido por Ribeirão, já confidenciou para seus amigos como era o suposto pedido de propina durante a construção do Parque do Atleta.

Depois de dois anos, a Construtora Millenium, que pertencia ao pai dele, deixou a obra inacabada. Sem poder reclamar sobre o “mal feito”, Waldemir a concluiu com mão de obra da prefeitura. Quanta “coerência”.

Rudynei tribuna

Pastor Rudynei foi eleito na Coligação “Juntos Para Continuar Crescendo”, da Dra. Lucília, campanha apadrinhada pela “criatura”. Por ironia do destino, a mesma situação foi vivida pelo opositor Luis Alves, que, diga-se de passagem, mantém sua coerência partidária, motivo que o levaria a amenizar o relatório da CPE das Obras Irregulares. Esse o seu erro?

Para Ribeirão há outro equívoco do comunista. “Ele acusava Waldemir de mau administrador durante os Jogos Regionais pelo pão com salsicha servido para os atletas, para em seguida protegê-lo, após verba aprovada para uma Associação de Moradores de Bairro”. Ribeirão só não citou que a benesse foi aprovada pela Câmara comandada por ele, que então aliado do ex-prefeito.

CADÊ A COERÊNCIA?

Waldemir prefeito

Um bom administrador não deixa para seus dois últimos anos, de um governo de oito, um pacote de obras para ser executado.  Um bom político, seja ele prefeito ou vereador, não permitiria o abandono de dezenas de obras irregulares sem fiscalização. Mas, como a atual política tem sido a arte da mentira deslavada, Ribeirão se dá ao luxo de parafrasear o quadro do programa Fantástico da Rede Globo para perguntar: “cadê o dinheiro que tava aqui?”, se referindo às famigeradas obras inacabadas e cheias de indícios de desvio de dinheiro público da era Waldemir, quando Ribeirão era presidente da Câmara.

O programa da Globo mostra reportagens sobre corrupção na administração pública que terminam sob investigação da Justiça. Logo o vereador Ribeirão quer invocar a legalidade? Cadê o notebook que tava aqui? Cadê o dinheiro da viagem para o Nordeste que tava na Câmara? Cadê o aparelho da Câmara que tava no Tupã Bingo? Cadê a Liga Tupãense de Futebol, falida após a ação da Polícia Federal? Cadê a lei de isenção de impostos para o setor imobiliário? (isso me faz lembrar a venda de Medidas Provisórias no Governo Federal). Cadê a lei do Prodet que deveria beneficiar empreendedores e virou alvo do Ministério Público? Cadê o Japonês da Federal para acabar com esse escândalo chamado “incoerência-gate” que a política tupãense nos apresenta?

Essa incoerência também faz sumir o patrimônio público. Cadê o dinheiro sacado na “boca do caixa” do Tupã Folia 2013 e 2014? Nenhum “coerente” se manifestou até agora, além do vereador Luis Alves que fez a denúncia ao Ministério Público. Esse talvez seja o fato “gerador” da briga da sessão anterior, além do gerador da UPA – Unidade de Pronto Atendimento. Click sobre SESSÃO DA BRIGA e ouça o bafafá parlamentar.

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Foi assim que de praça em praça, Tupã tornou-se referência regional, mas também em forma de superfaturar as obras de embelezamento. Praças que foram iniciadas por empreiteiras sob suspeita de incapacidade. Assim agiu a construtora Millenium que durante muito tempo teve o pai do secretário de Governo à frente dos negócios da empreiteira. O Parque do Atleta só foi concluído depois de mais de dois anos e pela própria prefeitura.