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22/08/2017

Deputado Evandro Gussi bate na mesa contra abertura do governo de Ricardo Raymundo

Vereadores da situação ameaçam rebelião se houver premiação à oposição. Secretários técnicos também comentam sobre possibilidade de pedir exoneração. Prefeito promete criar novas Secretarias para obter a maioria na Câmara. Segundo interlocutores, o deputado federal Evandro Gussi disse que “só cobras estão colocando na prefeitura”.

Pastor Eliézer pode assumir a função de líder se vingar a negociação

Pastor Eliézer pode assumir a função de líder, se vingar a negociação

Capitão Neves - já havia abandonado até a liderança do prefeito

Capitão Neves – já havia abandonado até a liderança do prefeito

A “República Verde” caminha para uma abertura definitiva que tem por objetivo conquistar a maioria dos parlamentares no Legislativo tupãense. Mas, as negociações são tensas. Xingamentos, socos na mesa, traição, reuniões infindáveis e uma certeza: as contradições do governo de José Ricardo Raymundo (PV) – acabou a besteira de administração técnica – de que não haveria balcão de trocas com a Câmara, redução de Secretarias para conter gastos.

A ordem agora é, negociação – custe o que custar aos cofres públicos e a criação de mais cargos para comandar as subsecretarias (Divisões).

Para o ferrenho crítico da administração nas redes sociais, o novato Tiago Matias (PRP) cria-se a Secretaria da Juventude. A pasta seria comandada por “quatro mãos” – pelo assessor do vereador Fernando Oliver Amato e por Marcio Murini (Podemos). Arrasta o outro novato Paulo Henrique Andrade, “PH” (PPS) para a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Nas duas situações, o suplente no legislativo é o Luis Alves de Souza (PC do B).

Para a Secretaria de Assistência Social é cogitada a ida da vereadora oposicionista Telma Tulim (PSDB) para ocupar o lugar da assistente social, Ana Cláudia Lavagnine Costa. Com o desmembramento da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente – Renan Pontelli (PSB) ficaria com a segunda, e o atual secretário Afonso Ponce seria mantido na primeira. Se houver confirmação das duas hipóteses, o motorista Valdir de Oliveira Mendes, “Bagaço” (PSDB) e o ex-secretário da Saúde, Antonio Brito (PSB e com um pé no Avante) assumiriam uma cadeira na Câmara.

A Secretaria de Relações Institucionais, comandada pelo vice-prefeito Caio Aoqui seria destinada a Duda Gimenez – ex-assessor do deputado estadual Fernando Cury (PPS). Como contrapartida, Gimenez deverá se filiar no PSB presidido em Tupã por Thiago Santos. Aoqui já teve desvinculado de seu comando a pasta de Cultura, agora sob a direção do PM Renato Gonzales.

A ARTICULAÇÃO

Renan Pontelli - três Secretarias por três vereadores da oposição

Renan Pontelli – três Secretarias por três vereadores da oposição

Moacir Monari - sofre com a decisão de articular maioria na Câmara

Moacir Monari – sofre com “fogo amigo” com a decisão de articular maioria na Câmara

Toda esta articulação foi feita entre o atual secretário de Governo e Administração, Moacir Monari e o vereador líder de bancada – Renan Pontelli (PSB). A expectativa é a de que o parlamentar que pavimenta sua eleição à presidência da Câmara leve para o lado do Executivo três parlamentares da oposição, nesta dança das cadeiras: Telma Tulim (substituída por Valdir Bagaço), o pastor Eliézer de Carvalho (PSDB) e Tiago Matias (substituído por Luis Alves).

Em troca da disposição de ajudar o Executivo a manter a maioria absoluta (10 a 5), Renan comandaria três Secretarias – Meio Ambiente, Relações Institucionais e Trânsito. A Secretaria de Segurança e Trânsito criada na administração de Manoel Gaspar (PMDB) deixaria de fazer parte da de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e contemplaria o vereador Cabo e Pastor Osmidio Fonseca Castilho (PSB). Já o Pastor Eliézer receberia o título de líder do prefeito na Câmara. Aliás, na sessão desta segunda-feira (21) agiu como tal.

BRIGAS

Líder da oposição se diz traído pelo PSDB de Waldemir

Líder da oposição, Amauri Mortágua se diz traído pelo PSDB de Waldemir

Telma Tulim - na espreita

Telma Tulim – na espreita e de olho na Assistência Social

A tensão é grande. Por conta deste arrastão que o prefeito pretende promover na oposição, o líder Amauri Sérgio Mortágua (PR) sente-se traído pelo PSDB e até teria reclamado com o ex-prefeito Waldemir Gonçalves Lopes.

O presidente dos tucanos Edson Schiavon prometeu divulgar uma nota esclarecendo que a decisão de se debandar para o lado da situação seria individual e não partidária. Por outro lado teria aproveitado a bonança e reivindicado um naco para aceitar a proposta: uma nova Secretaria para abrigar o ex-secretário de Meio Ambiente, o advogado Eliseu Borsari (PSDB).

Já Telma Tulim espera apoio dos líderes tucanos para assumir a Secretaria de Assistência Social. Estaria temerosa de romper laços, por exemplo, com o ex-deputado cassado, porém influente Mauro Bragato.

SECRETÁRIOS AMEAÇADOS

Ana Cláudia - apostou em Ricardo e Caio

Ana Cláudia – apostou em Ricardo e Caio, mesmo no “staff” de Gaspar

A atual secretária de Assistência Social, Ana Cláudia sente-se traída pelo PV, caso seja confirmada a nomeação de Telma Tulim. Ela teria sido uma das poucas pessoas dentro da administração de Gaspar, a apostar na vitória de Ricardo e Caio.

Outros secretários considerados técnicos sentem-se vulneráveis com toda a movimentação contraditória do atual governo de levar para dentro da administração políticos com cargos de secretários. A reportagem flagrou alguns comentado sobre a possibilidade de pedir exoneração.

BASE ESTREMECIDA

Se não bastasse todo este barulho, os vereadores da situação que suportaram até agora uma avalanche de críticas também estão descontentes com a trama. Dois parlamentares verdes – Gilberto “Capitão Neves” Cruz e Antonio Carlos Meirelles da Silva, e Eduardo Akira Edamitsu (PSD) sentem-se desprestigiados. Suportaram até hoje uma dura carga, sem nenhuma recompensa da administração.

Gussi briga contra o fim da "República Verde" em Tupã

Gussi briga contra o fim da “República Verde” em Tupã

Mais raivoso estaria o deputado federal Evandro Gussi. Ele havia instituído a “República Verde” no atual governo e viu toda sua tese ruir a partir da nomeação de seu assessor como principal articulador da administração. Ocupando Secretarias estratégicas, Moacir Monari não deveria ter permitido de que um “bando de cobras se apoderasse do governo municipal”, segundo interlocutores que teriam ouvido a frase da boca do parlamentar, enquanto socava a mesa de reunião tradicional de fim de semana para discutir os rumos da governança.

Para o prefeito Ricardo Raymundo as negociações dariam condições amplas para conseguir administrar o município, mesmo que custe caro o balcão de trocas. O prefeito teria recebido inclusive, o apoio dos maçons. Insatisfeito, Gussi ameaçou “tirar” Moacir Monari. Interlocutores não souberam precisar se tirá-lo do governo ou de seu “staff” representativo político.

CABARÉ

Tiago - Secretaria da Juventude por uma via de "quatro mãos"

Tiago – Secretaria da Juventude por uma via de “quatro mãos”

A espalhafatosa negociação ganhou até os camarotes da Exapit – Exposição Agropecuária e Industrial de Tupã. Cobrados por alguns eleitores sobre a possiblidade de deixar a oposição ao prefeito, Tiago Matias retrucou: “eles vão me dar até uma Secretaria, o que eu posso fazer”, ostentou durante show do Cabaré.

O CUSTO DO SHOW

O show promovido por este ostensivo balcão de negociação pode significar a criação de mais cargos para ocupar as divisões de um número maior de Secretarias. Para quem assumiu dizendo que 16 pastas tinha um custo elevado para a municipalidade e que pretendia diminuir para apenas nove, agora, a prefeitura poderá contar com 15 ou mais Secretarias a considerar o andar da carruagem.

Ricardo não contabilizava o custo para viabilizar a governança

Ricardo não contabilizava o custo para viabilizar a governança

Tem até suplente de vereador exigindo além da cadeira na Câmara, uma Secretaria para seguir a situação. O Pastor Rudynei Monteiro (PP), ligado ao vereador Antônio Alves de Sousa (PP) não escapou do assédio para rumar para a situação. O problema é levá-lo para uma Secretaria, Ribeirão como suplente assumiria a vereança. Ele disse ao blog que acha difícil esta possibilidade em função de todo o seu trabalho crítico que já foi desenvolvido. Apesar disso nada o impediu de participar da reunião da semana passada para discutir as probabilidades.

Agora é esperar para ver. Com a negociação em curso, os parlamentares perderam até o interesse pelas intermináveis falas da tribuna da Câmara. As duas primeiras sessões após o recesso de meio de ano, começaram às 20 horas e terminaram por volta das 22 horas. As viagens à Brasília e São Paulo também caíram, em função do elevado interesse pela política local, demonstrada pelos nobres parlamentares.