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30/11/2017

INFRAESTRUTURA: Prefeitura vai adquirir área para implantar novo cemitério

O dinheiro para a aquisição do terreno sairá da verba da Câmara Municipal que será devolvido à prefeitura. Uma Avenida com 17 metros de largura, a partir do Jardim Jaçanã levará ao campo-santo e aos Distritos Industriais. Em uma única “tacada” Ricardo Raymundo pretende resolver duas questões deixadas de lado há pelo menos 12 anos.    

A área fica localizada entre o CTA da CAMAP e o 3º Distrito Industrial, e entre a linha férrea e a SP-194

A área fica localizada entre o CTA da CAMAP e o 3º Distrito Industrial, e entre a linha férrea e a SP – 294 – Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O novo cemitério municipal será implantado numa área de 9,68 alqueires declarada de utilidade pública através do decreto 8.095, de 20 de setembro. A propriedade pertence a viúva Satiko Issayama, e deve custar aos cofres públicos algo em torno de R$ 3 milhões.

Ricardo Raymundo trabalhou em silêncio para solucionar dois antigos problemas que afetam a infraestrutura do município

Ricardo Raymundo trabalhou em silêncio para solucionar dois antigos problemas que afetam a infraestrutura do município

O decreto assinado pelo prefeito José Ricardo Raymundo (PV) para efeito de desapropriação estipula que no local será implantado o 4º Distrito Industrial, mas deverá ser alterado para complementar a informação de instalação também do cemitério, num espaço de três alqueires.

A propriedade a ser adquirida está localizada entre o CTA da Camap e o 3º Distrito Industrial, e entre a linha férrea e a SP-294 – Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros.

A área inclui até a famigerada pista de aeromodelismo, cuja as benfeitorias feitas no local com recursos públicos poderão ser ressarcidas pelo ex-prefeito Manoel Gaspar (PMDB). Os vereadores que aprovaram a instalação da pista em propriedade particular podem sair ilesos. O fato ocorreu no ano de 2000 e segue sub judice.

Leia também: “Aviãozinho”: Gaspar não “decola” com recurso no TJSP e vai pagar a conta

O SEGREDO

Renan Pontelli levou uma comitiva para esclarecer o compromisso da administração...

Renan Pontelli levou uma comitiva para esclarecer o compromisso da administração…

O plano de ação da administração para viabilizar o novo cemitério e o 4º Distrito Industrial estava sob sigilo, mas o blog sem nenhuma pretensão tomou conhecimento do fato na manhã desta quinta-feira (30).

A reportagem apurava a preocupante situação de Tupã não ter onde enterrar os seus mortos. Há mais de 10 anos, a imprensa tupãense cobra uma definição e, nos últimos 12 anos, não houve nenhuma movimentação da classe política neste sentido.

Ao contactar o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Renan Pontelli (PSB) e questioná-lo sobre o posicionamento da atual administração em relação ao assunto, e também sobre a possível área que estava em processo de compra veio a surpresa: “Em vinte minutos estarei aí no cemitério para te levar à propriedade onde deverá ser implementada ação de instalação do novo cemitério”, enfatizou.

Renan se fez acompanhar de uma comitiva de pessoas da administração e do Legislativo envolvidas com o processo. Entre as quais, o atual secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Anderson Pereira, o presidente da Câmara, Valter Moreno Panhossi (DEM) e o vereador pastor Eliézer de Carvalho (PSDB).

ECONOMIA DA CÂMARA

Valter Moreno: a contenção de gasto foi compromisso de todos os vereadores

Valter Moreno: a contenção de gasto foi compromisso de todos os vereadores

De acordo com Valter Moreno, em dezembro a Câmara deve fechar o mês com uma economia de cerca de R$ 2 milhões. Este valor será devolvido à prefeitura com a condição de que o recurso seja investido para a implantação do novo cemitério.

Com o recurso será possível “quitar” a parte destinada ao campo-santo, e ainda sobrará R$ 1 milhão para implementar outras melhorias como, por exemplo, cercar toda a área e dotá-la de infraestrutura completa.

O cemitério contará com 8 mil espaços para construção de carneiras, setor administrativo, Velório e estacionamento. “Não haverá venda de terrenos. Só será possível adquirir um espaço quando houver o falecimento de alguém. O objetivo é impedir a especulação imobiliária”, garantiu o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Renan Pontelli.

PROJETO INTERLIGADO

Perimetral do Jaçanã será prolongada numa Avenida com 17 metros de largura...

Perimetral do Jaçanã será prolongada numa Avenida com 17 metros de largura…

...passando pelos fundos do Grêmio da Polícia Civil e do CTA da CAMAP, como ilustra a foto

…passando pelos fundos do Grêmio da Polícia Civil e do CTA da CAMAP, como ilustra a foto

...passando pelo novo cemitério e alcançará o 3º Distrito Industrial - no fundo da foto

…a Avenida interligará a Vila Inglesa ao 3º Distrito Industrial – passando pelo novo cemitério

“Todo a documentação para viabilizar junto a CETESB a autorização para funcionar o novo cemitério está sendo preparada”, explicou o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Anderson Pereira.

Concomitantemente, a esse processo, o projeto global deve ser concluído nos próximos dias pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, através do arquiteto Valentim Bigeschi.

O projeto engloba a construção de uma via de acesso ao cemitério a partir da Perimetral do Jardim Jaçanã. A Perimetral margeia a linha férrea. O prolongamento da via passará atrás do Grêmio da Polícia Civil e do CTA da CAMAP.

A Avenida terá 17 metros de largura, a partir dos 15 metros da via férrea que é de domínio da ALL – América Latina Logística. A Avenida interligará a Vila Inglesa, Jaçanã, o novo cemitério ao 3º Distrito Industrial. Para concluir o projeto, a CAMAP vai ceder parte dos fundos da sede campestre. Como contrapartida, a prefeitura vai restabelecer o alambrado que cerca a parte dos fundos do clube.

HERANÇA SOMBRIA

Cemitério da Saudade: neste local ampliado só há espaço para 12 carneiras

Cemitério da Saudade: neste local ampliado só há espaço para 12 carneiras

Neste espaço da antiga área ainda há espaço para outras 36 unidades

Neste espaço da antiga área ainda há espaço para outras 36 unidades

Ainda este mês não haverá nenhum espaço para sepultamento no cemitério da Saudade. As últimas 12 carneiras (construção cemiterial) para dispor cadáveres estão sendo edificadas no local, na última parte ampliada (foto à esquerda). Depois restam outros pequenos espaços na parte antiga do cemitério que poderão ser instalados outros 44 túmulos (fotos menores à direita).

No cemitério São Pedro, no centro da cidade, os espaços estão esgotados. O cemitério de Parnaso atenderá a demanda da população do distrito ainda por mais alguns anos.

Já os familiares do perímetro urbano que tiverem que enterrar seus entes queridos a partir de janeiro de 2018 – podem sofrer as consequências pelo descaso das últimas administrações municipais.

Na entrada do penúltimo portão, outro espaço para 8 novas carneiras

Na entrada do penúltimo portão, outro espaço para 8 novas carneiras

É previsível a necessidade há pelo menos 10 anos de uma nova área para esta finalidade. À época, o blog já apontava que este poderia ser um legado do ex-prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB), entretanto, optou por remediar e empurrar para o presente a decisão que poderia ser um marco durante sua passagem pela prefeitura.

Ao invés disso, Waldemir deixou 33 obras irregulares – abandonadas, muitas sequer foram iniciadas, e com fortes indícios de desvio de mais de R$ 30 milhões, segundo a CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal. O caso é investigado pelo Ministério Público.

As irregularidades de sua administração comprometeram e seguem prejudicando ações de desenvolvimento do município. São recursos que precisaram ser devolvidos por obras não realizadas, verbas que não chegaram pelas fraudes licitatórias e futuro incerto por aquilo que deixou de ser concretizado. Obra paralisada é prejuízo em dobro ao contribuinte.

QUARTO DISTRITO

Antes do complexo Agroindustrial de Romildo Contelli existe a propriedade de Miro Cazuza que deverá abrigar o 4 Distrito Industrial. A propriedade fica anexa aos 10 alqueires que margeiam o CTA da CAMAP

Antes do complexo Agroindustrial de Romildo Contelli (fundo da foto) existe a propriedade de Miro Cazuza (parte mais esverdeada) que deverá abrigar o 4º Distrito Industrial. A propriedade fica anexa aos 10 alqueires que margeiam o CTA da CAMAP

Olhando para frente, a partir do CTA da CAMAP, na direção do 3º Distrito Industrial há uma outra área de aproximadamente 20 alqueires que pertence ao empresário Argemiro Pereira França, o “Miro Cazuza” e que também deverá ser declarada de utilidade pública. Estes 20 alqueires e os outros 7 alqueires que sobrarão da primeira propriedade onde será implantando o cemitério serão destinadas para compor a área do 4º Distrito Industrial.

Para adquirir a propriedade, a prefeitura pretende fazer uma permuta – descontar de tributos que o empresário deve a municipalidade. Se vingar as duas propostas, de implantação do novo cemitério dentro de toda legalidade que a legislação exige, bem como, a de ampliar a área industrial de Tupã, o atual governo de Ricardo Raymundo já terá em apenas um ano, superado duas questões relevantes de infraestrutura abandonadas nos últimos tempos.

O último Distrito Industrial foi implantado pelo ex-prefeito Manoel Gaspar. Também foi ele que reestruturou e legalizou o 1º e 2º Distritos Industriais, criados nas administrações de Carlos Messas e Jesus Guimarães, respectivamente.

Waldemir Gonçalves Lopes prometeu implantar o 4º Distrito Industrial e não o fez. Ao mesmo tempo afirmou categoricamente que a Usina Clealco iria se instalar em Tupã para gerar milhares de empregos diretos e indiretos, mas nenhuma proposta vingou. Se tivesse pensado à frente de seu tempo, talvez tivesse viabilizado ao menos uma nova área para sepultar os nossos restos mortais.

Os 30 alqueires comprados pela prefeitura, através de lobista estão abandonados. O mesmo lobista se empenhou para comercializar a área durante a administração de Gaspar

Os 30 alqueires comprados pela prefeitura, através de lobista estão abandonados. O mesmo lobista se empenhou para comercializar a área durante a administração de Gaspar, mas a Câmara não autorizou a venda