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17/03/2018

Marielle: a corrupção mata a nação

O crime do colarinho branco é responsável também por vitimar os que precisam de saúde, educação e trabalho. Morrem anônimos, e personagens da política, como o ex-prefeito Celso Daniel. Mas, ao completar quatro anos, a Lava Jato deu esperanças de que é possível colocar na cadeia os responsáveis pela pratica de crimes contra a sociedade.  

Foto: Reprodução Jornal do Brasil

Foto: Reprodução Jornal do Brasil

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

 

 

 

 

 

 

 

Passados quase três meses, eu ainda não havia falado sobre a prisão de Paulo Maluf (PP), sinônimo de corrupção e lavagem de dinheiro público. Com seu slogan “Maluf Faz” conseguiu ser prefeito, governador e, por último, deputado federal, quando percebeu que era a única forma de obter foro privilegiado.

Maluf hoje é apenas lembrança de um ladrão da “locomotiva” chamada São Paulo. Aos 86 anos, quando ninguém mais acreditava em sua prisão foi encarcerado fingindo debilidade física.

Maluf perdeu o posto de corrupto maior para uma quadrilha dos tempos modernos. Organizada em bando sob o comando de poderosos políticos como: Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, ambos do PT, e Michel Temer (MDB), além de outros integrantes de siglas partidárias e mandatários do Congresso e Senado – aliados nos governos de estados saquearam a nação, através dos cofres públicos provocando um tsunami de desempregados, miseráveis e, por consequência, amplificou a violência.

MARIELLE

(Luna Costa/Marielle Franco/Facebook/Divulgação)

(Luna Costa/Marielle Franco/Facebook/Divulgação)

A morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, me fez refletir sobre a primeira matéria que postei no blog, em 6 de maio de 2011, sob o título “O político corrupto e o ladrão”. Na mesma época, a Revista Veja estampava em sua capa matéria sobre o que seria possível fazer para o povo brasileiro com o dinheiro da corrupção.

Enquanto o texto do blog traçava um paralelo sobre as ações nefastas de políticos corruptos instalados nas prefeituras do interior do Brasil e os ladrões comuns que praticam crimes isolados, a grande mídia chamava a atenção para o mundo de fantasia vivido pela classe política e a dura realidade do cidadão comum – que precisa labutar para minimizar as dificuldades de suas famílias.

Quando o político corrupto age é de forma generalizada, e deixa nos corredores de hospitais os pobres doentes, tira da boca do idoso o remédio, deixa a criança sem a merenda, e um país inteiro a mercê de bandidos integrantes de organizações muitas vezes que eles mesmos fazem parte.

Com os poderes constituídos corrompidos e setores públicos fragilizados, o crime demonstra possuir a inteligência que falta às instituições de segurança.

José Dirceu no velório do ex-prefeito de Santo André (SP), em 2002 (Samir Baptista/AE/VEJA)

José Dirceu no velório do ex-prefeito de Santo André (SP), em 2002 (Samir Baptista/AE/VEJA)

Numa sociedade culturalmente acostumada a entender como normal levar vantagem, é compreensível verificar essa comoção com a morte de Marielle e, a falta de qualquer sentimento com a execução do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2002.

Há dois anos, o El País destacava por que a morte do político chegava à Lava Jato após 14 anos. “Empresário preso saberia da ligação do PT com esquema de propina e da morte do prefeito. Tese contestada por quem acompanhou o caso”.

A verdade é que assim como Marielle, Daniel e milhares de anônimos como o motorista Anderson continuarão sendo alvejados por tiros disparados pelos psicopatas do poder do Estado de direito e do Estado paralelo.

A corrupção iniciada muitas vezes com lampejos de imoralidade ganha corpo e alma em proporções inimagináveis no campo político. Um desses passos é o de se servir com dinheiro público.

Gussi na mesa

O poder faz lambuzar em banquetes da poderosa “casta” engravatada, e corrompe os que estão orbitando em torno do centro de gravidade. A revista Veja destacou há 7 anos, como o dinheiro da corrupção era gasto pelos políticos – com viagens, joias, carros, e bolsas caras para suas amantes.

Nesse meio tempo, a corrupção foi potencializada, os escândalos se sucederam, e culminaram com a Operação Lava Jato, mas os políticos seguem abduzidos pelo poder, o dinheiro fácil, e suas protegidas amantes aumentam a prole – “os filhos de Brasília”.

Enquanto isso, a morte do ex-prefeito Celso Daniel pode ter ocorrido em circunstâncias diferentes a de Marielle e seu motorista Anderson, mas as causas são as mesmas que vitimam milhares de anônimos – filhos do Brasil – A CORRUPÇÃO.

A corrupção ficou para o poder constituído, assim como o tráfico de drogas para o crime organizado. É na divisa desse território em disputa, que fica o povo manipulado pelos seus falsos representantes.

UOL ESPORTE – BARBÁRIE OLÍMPICA

A propósito, seguindo esse raciocínio, o portal www.uol/esporte/especiais/barbarie-olimpica. Trouxe nesta sexta-feira (16) uma matéria especial chamada “Barbárie Olímpica” – Morte de Marielle é o fundo do poço do Rio de Janeiro da Olímpiada, marcado por corrupção, falência e terror.

A reportagem cita que “não é exagero dizer que esta é a consequência de uma história que começou há nove anos, quando um grupo de engravatados foi à Dinamarca atrás do direito de chamar o mesmo Rio de Janeiro de “sede olímpica”.

Em resumo, a reportagem retrata ações esportivas diplomáticas e de marketing que tiveram como objetivo vender um país e, sobretudo, um estado que pretendia se restabelecer de atos de violência praticados por policiais contra oito crianças de rua, assassinadas na Candelária.

Todo o esforço era um pano de fundo para a prática de mais atos de corrupção a partir da escolha do Rio como sede das olímpiadas. O legado deixado foi de três ex-governadores presos, e cinco dos últimos sete que ocuparam o Palácio Guanabara respondem a questões na Justiça – os outros dois estão mortos – observa a reportagem.

Na sequência, a matéria ressalta “que a corrupção que passou pela Olímpiada, anda de mãos dadas com a enorme crise financeira que fez o Estado desidratar”. Dos R$ 17 bilhões em dívidas que a cidade acumulava em 2017, 41% vinham só de obras de mobilidade urbana dos Jogos. Atrasos seguidos de salário no funcionalismo público e sucateamento das forças policiais, entre outros fatores, contribuíram para a criação do cenário de violência que justificou a polêmica intervenção militar.

Leia também: O político corrupto e o ladrão