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01/04/2018

EVANDRO GUSSI: Escorraçado de casa, o parlamentar busca “abrigo” no Ministério de Temer

Ele também pode fazer uso do auxílio moradia no valor de R$ 4.235,00, e ou imóvel funcional. Acusado de infidelidade conjugal, o deputado federal caminha para terminar seu mandato de forma melancólica. Durante sua militância política, legislou em causa própria, e agiu como as velhas “raposas” de Brasília.

Gussi goza de prestígio no Palácio presidencial

Foto: Divulgação – Gussi goza de prestígio no Palácio presidencial, após integrar a tropa de choque de Temer

O deputado federal Evandro Herrera Bertone Gussi (PV-SP), pode assumir o MMA – Ministério do Meio Ambiente do governo de Michel Temer (MDB), após ser escorraçado de sua própria casa, localizada em Tupã, no interior paulista. A influência de grupo conquistada pelo prudentino – radicado em Tupã demonstra muito bem como rapidamente se tornou refém do poder.

O imóvel avaliado em mais de R$ 1 milhão, na Vila Inglesa, bairro de classe média alta, pode não ser mais o domicílio do congressista, mas as portas do Palácio do Planalto seguem abertas, com lugar garantido na cabeceira da mesa presidencial, apesar do ambiente também ser palco de grande degradação moral causada pela ganância, corrupção, malversação de dinheiro público, e de infidelidade aos anseios da sociedade brasileira.

O LETÍGIO 

Já no próprio lar, o clima é sombrio

Já no próprio lar, o clima tornou-se sombrio

Já o possível litígio no “palácio” dos Gussi teve início a partir da descoberta de suposta pratica de infidelidade conjugal do parlamentar com uma funcionária ministerial.

Segundo interlocutores, agora os dois estariam sob o mesmo teto, protegidos pelo governo que Gussi não permitiu que fosse investigado de acusações como: corrupção e lavagem de dinheiro.

As denúncias sobre o caso extraconjugal surgiram ao mesmo tempo em que outros fatos foram explicitados ainda sobre a intensa militância e devoção ao Partido Verde, e a seu protetor e deputado estadual Reinaldo de Souza Alguz (PV).

Durante toda sua peregrinação em busca de votos para a sigla e a si próprio, Gussi e Alguz se beneficiavam de dinheiro público da ALESP – Assembleia Legislativa de São Paulo, com polpudos salários a seus criados. Um esquema legal, porém, imoral que irrigou os bolsos de seus aliados até a chegada ao poder.

Na surdina, sem que “ninguém” soubesse, Gussi, sua ex-esposa Joice Raquel Ubeda Haddad, e seu pai José Reinaldo Gussi foram nomeados assessores especiais. Os cargos garantiram uma fortuna apelidada pelo blog de “Bolsa Família Verde”.

O patrimônio do deputado federal saltou 1.300 por cento entre sua candidatura a vereador em Tupã, em 2008, e até sua posse na Câmara Federal, em 2014. O “bolsa emprego” às custas de recursos do povo beneficiavam ainda, a mulher do atual prefeito de Dracena, Ana Carolina Cenedesi Machado Bertolini, entre outros aliados, da cidade origem de Alguz.

CLÃ SARNEY E A CASA

Zequinha Sarney (PV-MA) - apoio a Gussi para assumir Ministério em que é titular

Foto: Divulgação – Zequinha Sarney (PV-MA) – apoio a Gussi para assumir Ministério em que é titular

Hoje, Evandro Gussi alça voos panorâmicos sobre Brasília e pretende estendê-los pelo Brasil. Mancomunado com o clã Sarney, através do atual ministro do MMA, José Sarney Filho, o “Zequinha” (PV-MA), fez questão de antecipar ao jornal Diário – edição do dia 29 de março, de que é virtual substituto do filho do ex-presidente, na pasta “verde” por indicação de lideranças.

A matéria ganhou destaque após o próprio jornal também reclamar que o deputado Evandro Gussi era inacessível e não dava retorno à imprensa.

A mesma reclamação é a do blog. Apenas de forma indireta o parlamentar procurou o diário online, depois de publicação sobre o seu enriquecimento.

Na ocasião, Gussi divulgou a declaração de Imposto de Renda, revelando que o seu patrimônio não atingia R$ 500 mil e, que desse valor, pouco mais de R$ 350 mil, eram provenientes de financiamento para obras de sua casa em Tupã.

NEGÓCIO GORDO

JRGussi e o parlamentar durante evento solene de posse na Câmara Federal

Foto:Divulgação – JRGussi (direita) e o parlamentar durante evento solene de posse na Câmara Federal

Aliás, foi justamente com a expressão – “gordura do saber” que seu criador, o deputado Reinaldo Alguz, convenceu Evandro Gussi a trilhar sua trajetória política.

Em discurso proferido em Quintana, na região de Marília, em 2012, Gussi revelou uma “profecia” de seu professor político – “você já estudou o suficiente e precisa usar sua gordura do saber, através da política, para contribuir com a sociedade”. As palavras ganharam eco e inflou o ego para que se lançasse candidato a deputado federal.

Os discursos de bons samaritanos de ambos colocavam em primeiro plano – servir à região de condições político e econômicas para um desenvolvimento sustentável em uma sociedade formada por prósperas lideranças.

Mas, foram os negócios pessoais de Gussi que começaram a prosperar na mesma velocidade da imoralidade que lhe é imputada pelas redes sociais, seja patrimonial e ou matrimonial. Conforme o blog divulgou, uma fazenda de 5 mil alqueires localizada em Martinópolis, na região de Presidente Prudente, é destinada a engorda de gado de corte.

A sociedade após o primeiro ano de mandato

A sociedade após o primeiro ano de mandato

Ele, e o próprio pai, o delegado aposentado e advogado José Reinaldo Gussi são os possíveis sócios do negócio. Procurado pela reportagem o deputado não desmentiu ao contrário do que fez sobre seu repentino enriquecimento após os primeiros meses como parlamentar e apoiador de Michel Temer.

Depois de escapar de ser investigado pelos deputados federais por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema da JBS dos irmãos Joesley e Wesley Batista, agora Temer vê os seus amigos mais próximos serem presos – na investigação da Operação Skala sobre esquema de decretos que beneficiavam o setor de portos.

AGRICULTURA VERDE

Coluna do Estadão revelou dia 28, o forte grupo político que apoia Gussi

Coluna do Estadão revelou dia 28, o forte grupo político que apoia Gussi

Não deve ser à toa que o parlamentar Evandro Gussi tenha se enveredado nos últimos anos pela atividade agropecuária. Três anos depois de abrir seu agronegócio na região, é indicado pela Frente Parlamentar Agropecuária para o Ministério do Meio Ambiente, segundo publicação feita por Coluna do jornal O Estado, publicada na quarta-feira, dia 28 de março.

Foi na noite desse dia 28, que Gussi fez publicidade do fato ao ligar para a redação do Diário de Tupã e revelar em “segunda mão” que “poderá ser ministro”.

RENOVABABIO

Em 22 de novembro, foi aprovada urgência para PL do Renovabio do deputado Evandro Gussi (PV-SP)

Foto: Divulgação – Em 22 de novembro, foi aprovada urgência para PL do Renovabio do deputado Evandro Gussi (PV-SP)

Outras informações oriundas da capital federal dão conta que o deputado Evandro Gussi abandonou a ideia de tentar a reeleição pelo desgaste político que sofreu nos últimos meses dentro de seu religioso eleitorado, onde parte o acusa de traição. A palavra traição também tem origem extraconjugal em sua terra natal – Presidente Prudente.

Alguz já vinha excluindo-o de panfletagem feita, inclusive em Tupã, mas ambos, seguem juntos no círculo de fazer o dinheiro girar entre eles mesmos. Dinheiro público. É nessa toada que Gussi se mantém ligado as oportunidades que os eleitores lhe proporcionaram ao elegê-lo com mais de 109 mil votos para nos representar em Brasília.

Ao afirmar que não pretende disputar a reeleição surge nos bastidores políticos uma outra explicação: é preciso tomar conta dos negócios. O RenovaBio abre novas perspectivas. Parceiros fortes existem, mecanismos governamentais também.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o RenovaBio é uma política de Estado que objetiva traçar uma estratégia conjunta para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tanto para a segurança energética quanto para mitigação de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

Até o fim do governo Temer é possível seguir legislando, executando e decretando a tese de uma das acusações que pesam contra o atual governo.

TACADA DE MESTRE     

Marcos Corrêa/PR

Foto: Marcos Corrêa/PR - Michel Temer, Gussi e aliados durante edição de Medida Provisória para refinanciamento de dívidas para produtores rurais na véspera da votação da denúncia contra ele na Câmara dos deputados

Michel Temer, Gussi e aliados durante edição de Medida Provisória para refinanciamento de dívidas de produtores rurais na véspera da votação da denúncia contra ele na Câmara dos deputados

A possibilidade de Evandro Gussi se tornar ministro se fortaleceu nos últimos meses com sua atuação legislativa em defesa dos interesses do governo, e de seus aliados, entre os quais, Zequinha Sarney.

É verdade que o projeto de sua autoria – o RenovaBio o qualificou tecnicamente pela atuação no setor ambiental.

Por outro lado, o seu credenciamento se deu mesmo ao não fazer uso de seu conhecimento como mestre e doutor em direito do Estado. Como integrante da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça, Evandro Gussi preferiu impedir que o presidente Michel Temer fosse investigado e votou como um “tiririca” – dizendo simplesmente “sim” ou “não” de acordo com a conveniência político-partidária que caracterizava a “tropa de choque” presidencial.

ATAQUE DO MESTRE

Gussi professor

O seu voto a favor do presidente Temer envergonhou seu ex-professor – um promotor conterrâneo. “Votaste pela não apuração de eventual conduta delituosa do Exmo. Presidente da República? Estou vendo que não aprendeu nada em minhas aulas”, questionou o mestre de Presidente Prudente, André Luis Felício, o “Tufi”.

Hoje, há quem aposte que Gussi torce para surgir uma terceira denúncia no Congresso contra o presidente Temer, por conta da Operação da Polícia Federal, para sacramentar a negociação que poderá leva-lo ao Ministério do Meio Ambiente.

TOMÁS OU TOMÉ

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A semana de 26 a 29 de março foi “explosiva” para o deputado federal Evandro Gussi. A sua revelação de que recebe apoio para assumir o Ministério do Meio Ambiente surgiu três dias depois de outro “buxixo” publicado na Coluna que o jornal Diário traz toda segunda-feira.

“Vai se chamar Tomé ou Tomás o rebento”?

Esta era a pergunta da coluna publicada no Diário, edição de segunda-feira, dia 26.

Dias antes, a suposta amante revelou em seu perfil no Facebook que a criança em gestação de aproximadamente quatro meses será um menino, e que vai se chamar Tomás.

“O papai e a mamãe estão felizes pela chegada do Tomás”, afirmou a outra. O texto era acompanhado de uma foto, onde ela dizia que estava em São Paulo, sem especificar se no interior ou na capital.

Após a divulgação do Buxixo, as mensagens foram apagadas do perfil da moça.

SÃO TOMÁS

São Tomas

Não por coincidência, o deputado federal Evandro Gussi seria um admirador dos escritos de São Tomás de Aquino – frade católico da Ordem dos Pregadores (dominicano) italiano, cujas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica. “Aquino” é uma referência ao condado de Aquino, uma região que foi propriedade de sua família até 1137, segundo wikipedia.org.

Ele foi o mais importante proponente clássico da teologia natural e o pai do tomismo. Sua influência no pensamento ocidental é considerável e muito da filosofia moderna foi concebida como desenvolvimento ou oposição de suas ideias, particularmente na ética, lei natural, metafísica e teoria política.

O CLIMA DE BONN

O deputado Evandro Gussi é um contumaz frequentador de programas religiosos da TV Canção Nova – mantida pela igreja católica. Ao estourar o caso de infidelidade, o parlamentar esteve com religiosos e teria feito confidências sobre o assunto. Se demonstrando arrependido prometera fidelidade, mas mensagens eletrônicas colocaram tudo a perder.

A esposa traída teria aceitado manter o casamento atendendo a pedidos da mãe, mas sucumbiu a audácia da amante e teria expulsado o parlamentar para fora de casa.

Evandro Gussi, professor Felipe Aquino e deputado Reinaldo Alguz, em julho de 2012, durante homenagem ao apresentador

Foto: Divulgação – Evandro Gussi, professor, evangelizador e apresentador Felipe Aquino e o deputado Reinaldo Alguz, em julho de 2012, em visita à sede da Comunidade Camção Nova

Em dezembro de 2017, o casal parecia de bem com a vida, em viagem pelos Estados Unidos. Mas, um mês antes, em novembro, enquanto era discutida a Agenda Climática Mundial e a implementação do Acordo de Paris – em Word Conference Center Bonn – na Alemanha, possivelmente o rebento citado pelo Buxixo, já estava encomendado.

“Fui professor de direito ambiental, conseguimos a aprovação do Acordo de Paris em tempo recorde na Câmara e no Senado, e conseguimos a aprovação do projeto RenovaBio, que é de minha autoria”, disse Gussi ao Diário.

AUXÍLIO MORADIA

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Apesar de eventualmente o parlamentar não usar seu antigo endereço como residência, não significa que ficará desabrigado, muito pelo contrario: A  Câmara dos Deputados possui 432 imóveis funcionais sob sua administração, concedidos aos deputados federais em efetivo exercício do mandato e a partir de alguns critérios pré-definidos, como idade e quantidade de moradores. Os portadores de necessidades especiais têm prioridade.

Segundo as regras, o imóvel é destinado exclusivamente à residência do deputado ocupante e seus familiares, sendo proibida a cessão ou transferência a terceiros. Além disso, o mesmo deputado não pode ocupar mais de uma unidade residencial.

Aos deputados federais que não conseguirem um dos imóveis funcionais disponíveis, é concedido um auxílio-moradia no valor de R$ 4.253,00 – valores de 2015. Os benefícios de moradia são destinados aos deputados que não possuem residência em Brasília. Entretanto, em 2014, o jornal Estado de Minas apurou que 19 parlamentares recebiam o benefício mesmo possuindo casas ou apartamentos na cidade.

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