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01/06/2020

O Rádio em luto: morre Raul Gonzales

O radialista “Raul Garcia” iniciou carreira em Tupã, onde foi candidato a vice-prefeito, antes de ir para a Rádio Record. Ao se aposentar retornou para o rádio local e autuou como Irmão Definidor da Santa Casa. O corpo será sepultado na manhã desta terça-feira, às 10 horas, no Cemitério Das Palmeiras. As despedidas fúnebres acontecem no Memorial Tamoios.

101337152_622369295025503_5999696676854431744_nAos 77 anos, o radialista Sebastião Gonzales Stropa, conhecido em Tupã no início de sua carreira como Raul Garcia e, já consagrado, no rádio paulistano como Raul Gonzales, faleceu na manhã de hoje (1), em sua casa, vítima de infarto, segundo o serviço funerário. Socorrido e encaminhado à Santa Casa de Misericórdia, não resistiu.

A morte foi anunciada pelo irmão dele, Gerson Gonzales, através das redes sociais: “Com muito pesar comunico o falecimento de meu irmão Sebastião Gonzalez Stropa (Raul Gonzalez). Que ele possa ser assistido e amparado nesta viagem ao outro plano da existência. Que aqueles que muito nos amam, encarnados e desencarnados possam estar ao nosso lado, trazendo calma, paz e conforto emocional”. Gonzalez deixa esposa, dois filhos e netas.

Nos últimos anos,  Gonzales colaborava com o programa “Momento Espirita”  que vai ao ar aos domingos das 13 às 14 horas, pela Radio Nova Tupã FM, 100,3.

NO RÁDIO

Raul Gonzales ainda hoje é lembrado como noticiarista da Rádio Record. Durante décadas apresentou o noticiário “Check-up – 1000”, ao lado do garcense Zancopé Simões. Gonzales também integrou a equipe de esportes da Record, ao lado de outros quatro tupãenses: Cledi Oliveira, Pedro Bassan, Osvaldo Maciel e Sérgio Cunha.

Como corintiano, Raul Gonzales narrou pela Record a decisão de 1977, entre Corinthians e Ponte Preta, quando o timão sagrou-se campeão. Mais tarde, a equipe que já havia sido comandada pelo tupãense Osvaldo Maciel teria como titular, o “Pai da Matéria”, Osmar Santos.

Foto: Reprodução/Memória do Rádio

Foto: Reprodução/Memória do Rádio

Segundo a “Memórias do Rádio”, a Rádio Record am 1000 Khz era realmente um canhão de audiência e brigava mês a mês pela liderança com a Rádio Globo, tanto que contratou vário profissionais da Globo nesse período, entre eles Osmar Santos que deu um outro patamar a equipe esportivo a da Record.

A Record manteve um time de primeira, nesse material promocional dá pra notar de como o rádio esportivo era forte na década de 80 e no começo dos anos 90, período anterior da chegada das tvs por assinatura por volta de 1995.

De pé da esquerda pra direita: Barbosa Filho, Zancopé Simões, Cledi Oliveira (Tupã), Valdir Nogueira, Raul Gonzalez (Tupã), Marcos Barreto, Pedro Bassan (Tupã) e Loureiro Junior. Agachados da esquerda pra direita: Reinaldo Costa, Henrique Guilherme, Roberto Carmona, César Teixeira, Osvaldo Maciel (Tupã) e Guto Loureiro.

Além dos grandes nomes do esporte, a Rádio Record também na década de 80 contava com grandes comunicadores, entre eles estava Eli Corrêa.

Ainda em São Paulo, mais recente, atuou pela Rádio América.

CANDIDATO A VICE-PREFEITO

Em Tupã, Raul Gonzales também se enveredou pela política e, em 1976, disputou eleições como candidato a vice-prefeito, lembrou o ex-prefeito de Tupã, Jesus Guimarães.

-  Foi companheiro de jornada política quando, em 1976, era o candidato a vice-prefeito do MDB. Não foi eleito, mas sua participação foi decisiva para que o partido elegesse 2 vereadores à Câmara de Tupã. Depois foi fazer sucesso na capital como excelente locutor que era. Meus sinceros pêsames à família.

Guimarães e Romão Lopes Martins foram eleitos vereadores pelo MDB, que disputou a eleição com a chapa Jarbas Morello e Raul Garcia. Carlos Messas foi eleito prefeito pela Arena 2 e teve como vice, Octávio Vicenzotto. Aquele pleito de 1976, contou ainda com a chapa Arena 1 – Oscar Elias Bueno e Geraldo Martins de Azevedo.

INICIO DE CARREIRA

A origem de seu pseudônimo veio com o início de sua carreira no rádio tupãense. Ao se submeter a teste com o “Papa do Rádio”, como era conhecido Ronaldo Goy, Sebastião Gonzales Stropa passou a ser conhecido como Raul Garcia e, já na Rádio Record, Raul Gonzales.

Segundo o professor e historiador Paulo José de Oliveira, o próprio Gonzales durante uma entrevista à TV Universitária explicou que o saudoso radialista Ronaldo Goy justificou porque não dava para manter o seu próprio nome como comunicador – muito longo – SEBASTIÃO.

Em Tupã, Raul Garcia atuou na extinta Rádio Piratininga, nos anos 60 (Nova Tupã) e Rádio Clube. Em Marília, na Rádio Dirceu. Indagado sobre os principais nomes do rádio com quem havia trabalhado, Gonzales lacrou: Ronaldo Goy, Fiori Gillioti  e Osmar Santos, em âmbitos regional, estadual e nacional, respectivamente.

DEPOIMENTOS

Assim que o perfil Dernival Manfio divulgou nota sobre o falecimento do radialista, vários amigos e ex-colegas de profissão se manifestaram.

Chico de Assis:

- Meu primeiro contato como profissional do Rádio quando cheguei em Marília vindo de Paulo Afonso-Ba, foi com ele. Trabalhava na Rádio Vera Cruz de Marilia, no fundo da Igreja de Santo Antônio. O ano era 1966. Raul Garcia tinha boa audiência em Marília e região, época áurea do rádio. Foi um professor, um profissional competente, cujo trabalho ajudou Marília a ser destacada como celeiro de radialistas, pois ele abriu caminho para outros que no rádio de Marília também brilharam. O Rádio perdeu um grande profissional, Tupã perdeu um filho ilustre, porém o céu está em festa com sua chegada. Que Deus o receba de braços abertos!!!!

Antônio Carlos Galvão de Oliveira:

- Boas lembranças tenho do Raul da minha iniciação no rádio, foi um grande radialista. Minhas condolências aos familiares e amigos, Deus conforte o coração de todos nesta hora tão difícil.

Gilberto Pinto da Motta:

- Meus sentimentos à família. Raul Garcia (para nós desde meninos, na rádio Piratininga de Tupã, anos 60), depois Raul Gonzales na Record-SP. Querido colega de profissão e amigo. Grande locutor e pessoa finíssima, caráter irretocável. Luz, Raul!

Radialista Genildo Dos Santos:

Nossos sentimentos à família do colega radialista. Eu não o conhecia pessoalmente, embora tenha atuado durante 8 anos no rádio tupãense, mas os radialistas falavam muito bem sobre ele. Cheguei ao ouvi-lo nas emissoras de São Paulo, inclusive na Rádio Record. Uma voz diferenciada. Nosso tributo a Raul Gonzalez.