Tribunal de Contas investiga se alguém era beneficiado com os concursos “incinerados”
Auditoria do Tribunal de Contas (TC) esteve na sexta-feira (15) na prefeitura de Tupã-SP, para levantar outros indícios sobre documentos de concursos que foram incinerados na administração Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB). O objetivo principal do órgão fiscalizador é saber se as irregularidades que eram praticadas tinham por finalidade beneficiar alguém.
Evidente que sim. O próprio ex-prefeito era beneficiado. O esquema dos concursos curiosamente era comandado pela secretária da Educação, Carla Ortega Brandão e Adriano Rogério Rigoldi (Governo). Não é natural. Em qualquer empresa e, sobretudo, na administração pública qualquer concurso é tratado pelo Departamento de Recursos Humanos (RH) e pela Secretaria correspondente ao processo.
Na administração Waldemir, os concursos revelaram uma forma de ocupantes de cargo de confiança se perpetuarem no poder. Carla Ortega Brandão não ficou satisfeita em “passar” em um desses concursos. Ela fez questão de arrumar um esquema para ela e sua comadre Rosilene Ferreira da Silva Rabaldelli, “aprovada” também em primeiro lugar no concurso 02/2011, ocuparem os cargos de diretoras de escola na Rede Municipal de Ensino.
Para isso, elas não mediram esforços para denegrir, acusar, perseguir e “julgar” sumariamente professores e diretores (as) de escola para demiti-los dos cargos. Hoje, na administração Manoel Gaspar (PMDB) elas são diretoras de escola. Uma das vítimas da “gangue da educação” ganhou na Justiça o direito de retornar ao cargo. Outro diretor abandonou a briga, por não ter condição financeira para lutar contra o esquema.
O que o TC quer saber é só procurar verificar na relação de aprovados dos últimos concursos e realizar trabalho conjunto com o Ministério Público para constatar quem eram os beneficiados do “staff” da administração Waldemir.
Pessoas ligadas à diretoria do PSDB eram privilegiadas. Além de Rosilene, Andreia Alessandra Benicio, ex-braço direito de Carla Brandão, também foi contemplada com o segundo lugar no concurso 02/2011. À época dos concursos denunciados aqui no blog sob suspeita de fraudes, havia até comentário de que a ex-secretária da Educação, Carla Ortega Brandão fosse uma possível sócia da empresa Equipe Consultoria e Assessoria.
Também foi a partir desse fato que a empresa Equipe Assessoria, deu lugar a SHDias Consultoria e Assessoria. As denúncias foram ratificadas pelo vereador Valdemar Manzano Moreno (PDT). A empresa mudou a fachada no site, mas esqueceu de alterar o endereço, CEP e telefones. Coincidentemente as duas são de Indaiatuba como apurou a reportagem.
A denúncia foi feita no blog, em 16 de abril de 2012. A Equipe Consultoria e Assessoria não têm mais o site no ar e é investigada pela Justiça de Tupã depois de ter aprovado em concurso o ex-secretário de Governo, Adriano Rogério Rigoldi (PSDB), o cunhado do ex-prefeito, Paulo Estevão Arreiro Marin, Eliseu Borsari Neto (Meio Ambiente) a mulher do ex-secretário da Administração e Saúde, Wilian Manfré Martins e outros. Esse concurso foi o 03/2011.
O concurso 02/2011 que já havia aprovado como diretora de escola as comadres da Secretária da Educação, Carla Ortega Brandão e também aprovou em primeiro lugar a ex-secretária de Cultura e Turismo, Aracelis Gois Morales (hoje mulher de Rigoldi).
Atualmente Aracelis ocupa o cargo de turismóloga e como funcionária concursada foi transferida para o Posto de Informação Turística (PIT). Para não trabalhar protocolou no RH, na última semana o segundo atestado médico. O atestado foi apresentando pelo marido dela, Adriano Rigoldi. Motivo: tratamento para inseminação artificial (in vitro).
INTIMADO
Também na sexta-feira (15) o prefeito Waldemir Gonçalves Lopes foi oficialmente intimado a prestar esclarecimentos e ficou irritado com o fato. Deixou o oficial do Departamento Jurídico da prefeitura esperando embaixo de uma árvore, por 1h30. Para assinar o documento, Waldemir exigia saber detalhes da intimação.
Já a Câmara Municipal explicou que não teria sido informada oficialmente sobre as irregularidades constatadas pelo TC e, por isso, não se manifestou na sessão de quinta-feira (14). Esta foi a explicação dada pelo presidente do Legislativo, Antonio Alves de Sousa, “Ribeirão”.
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