Hospital de Bastos libera idoso com cateter no braço
Os cuidados da família evitaram que o paciente com fratura na bacia contraísse uma infecção, após permanecer dois dias no Pronto Socorro, que a partir da intervenção é de responsabilidade da prefeitura – ouça matéria
Sob polêmica intervenção desde o dia 14 de julho, o hospital de Bastos-SP, é alvo de reclamação de usuários. A interferência promovida há 27 dias, pelo prefeito Kleber Lopes (PL) e a presidente do Sindicato Rural, Cristina Nagano Yabuta tem por objetivo “melhorar a qualidade” do atendimento à população e sanar as dívidas.
Mas, dezenove dias depois da contraditória medida que colocou em confronto de ideias interventores e os ex-diretores da unidade, a comerciante Patricia Alves Vieira ficou indignada com o descaso no atendimento ao seu pai – Antônio Vieira.
Com uma fratura na bacia, o idoso foi encaminhado ao Pronto Socorro Municipal do hospital para receber atendimento médico, onde permaneceu por dois dias, até ser liberado no dia 1º de agosto com um cateter pendurado no braço.
O fato foi constatado pelos familiares quando os mesmos foram cuidar do idoso. O cateter é o acesso colocado no braço de um paciente para medicá-lo, também chamado de acesso venoso periférico (AVP).
É um procedimento comum em ambiente hospitalar, onde um cateter plástico é inserido em uma veia do braço para permitir a administração de medicamentos, fluidos e outros tratamentos diretamente na corrente sanguínea. O que não é normal é esquecer de retirá-lo durante a alta do paciente.
Após a repercussão do caso nas redes sociais, a direção do hospital de Bastos enviou uma enfermeira na casa do paciente para retirar o objeto.
O fato chegou ao conhecimento público neste final de semana, através das redes sociais, inclusive, de vereadores de Bastos.
CONSEQUÊNCIAS
Esquecer um cateter em um paciente, seja ele um cateter duplo J, um cateter venoso central ou outro tipo, é considerado um erro médico e pode levar a sérias complicações, além de gerar responsabilidade civil e criminal para o profissional ou instituição de saúde.
O cateter pode se tornar um ponto de entrada para bactérias, pode causar dor, inflamação, desconforto e danos psicológicos.
A vereadora Aline Ribeiro Gomes (Avante) questionou: “A sobrecarga de trabalho dos profissionais da saúde no Pronto Socorro é evidente e, talvez, essa tenha sido a causa do esquecimento. Como estava frio, o paciente estava de agasalho e não foi visto no ato da alta. Felizmente, a família é atenta e destina os devidos cuidados ao ente, caso contrário, se transcorresse, por exemplo, dois dias com o cateter no braço poderia levá-lo a uma infecção generalizada, com consequências inesperadas. A gente espera que a intervenção seja humanizada e olhe também pelos trabalhadores e, sobretudo, pelos pacientes”, alertou.

O administrador do hospital de Bastos, Everton Augusto, nomeado pelos interventores foi procurado pelo JN, mas não foi encontrado.
O secretário da Saúde, Éder Castro também foi questionado sobre a responsabilidade do hospital sobre o Pronto Socorro, mas não deu retorno.
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