OPERAÇÃO CONTRA CRIME ORGANIZADO REALIZA BUSCAS EM TUPÃ
A organização criminosa atuava de maneira empresarial na exploração de jogos ilegais (jogo do bicho e similares) em diversos estados – ouça matéria
O Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou nesta quinta-feira, 16 de outubro, a segunda fase da Operação Las Vegas, que apura a atuação de uma organização criminosa de âmbito nacional envolvida na exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e agiotagem.
A ação teve desdobramentos em Tupã (SP), Londrina (PR) e Itapema (SC), com o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão e duas medidas cautelares diversas da prisão.
Em Tupã, equipes do Gaeco realizaram buscas em endereços ligados a investigados que teriam atuado na região, possivelmente em apoio logístico e financeiro às atividades do grupo. Segundo o Ministério Público, a operação é uma continuação da primeira fase, que já havia identificado um esquema de lavagem de grandes quantias de dinheiro oriundo de jogos ilegais.
Os alvos seriam responsáveis por movimentar valores expressivos através de empresas de fachada e empréstimos irregulares, caracterizando também o crime de usura (agiotagem). O nome da operação faz referência à cidade norte-americana de Las Vegas, conhecida por seus cassinos, em alusão ao principal foco da investigação: o jogo ilegal e o enriquecimento ilícito.
O INÍCIO
O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), iniciou em 30 de janeiro, a Operação Las Vegas, com o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão nas cidades de Londrina (12), Cambé (2), Goiânia-GO (3), Brasília-DF (1), Itapema-SC (4) e Balneário Camboriú-SC (1), além de três mandados de prisão e 14 de imposição de medidas cautelares diversas da prisão. A ação contou com apoio dos Gaecos do Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina.
A investigação tinha por alvo uma organização criminosa com atuação nacional na exploração de jogos de azar e na prática de usura e lavagem de dinheiro. As medidas judiciais foram deferidas pelo Juízo da 5ª Vara Criminal de Londrina.
Foi determinado ainda o bloqueio de sites de apostas e sistemas on-line de gestão de jogos ilegais hospedados no Brasil e no exterior, o bloqueio de páginas do Instagram e do YouTube, o sequestro e a restrição de circulação de 236 veículos automotores e o sequestro de 18 imóveis e de valores em dinheiro. O montante a ser bloqueado nas contas bancárias dos investigados chega a quase R$ 150 milhões.
FATURAMENTO
O líder do esquema criminoso foi preso em 2011 na Operação Jogo Sujo II, do Gaeco, mas continuou operando jogos ilegais e ampliou o esquema criminoso, passando a atuar em todo o país. As apurações revelaram que a organização criminosa atuava de maneira empresarial na exploração de jogos ilegais (jogo do bicho e similares) em diversos estados, como Paraná, Santa Catarina e Goiás. Seus integrantes desenvolveram uma plataforma tecnológica para gestão e exploração dos jogos de azar, fornecida também a outros grupos criminosos de diversas regiões do país, mediante recebimento de percentual a título de comissão. Em uma das planilhas obtidas pelo Gaeco, constatou-se que em apenas um mês o esquema criminoso teve renda bruta de mais de R$ 40 milhões com o fornecimento do sistema para 81 adquirentes em diferentes regiões.
LAVAGEM DE DINHEIRO
O dinheiro obtido com as práticas ilícitas era lavado por meio de três locadoras de veículos, possibilitando inclusive que outros criminosos (condenados por tráfico, receptação e furto) também se beneficiassem dessas empresas “lavando” dinheiro com a aquisição de veículos de luxo. Nesse esquema também eram utilizadas empresas de fachada em nome dos próprios investigados e de “laranjas”. A organização criminosa contava até mesmo com uma lotérica para a ocultação de valores ilícitos. Outro modo de dissimular os ganhos era a compra de imóveis de altíssimo padrão e de cotas de consórcio, bem como movimentações de dinheiro em espécie.
FUGA
O líder do esquema criminoso e outros familiares investigados fugiram para os Estados Unidos no dia 17 de novembro de 2023, três dias após o Gaeco deflagrar a Operação Engenho, que culminou com a prisão de ao menos dois integrantes da organização, responsáveis por controlar o setor de lavagem de dinheiro do grupo. Ao menos quatro investigados, todos pertencentes ao núcleo familiar do líder, seguem nos Estados Unidos.
A operação contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal – houve cumprimento de mandado de busca e apreensão contra um servidor da instituição.
Assessoria de Comunicação
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