Prestação de contas: Gaspar aponta 31 obras irregulares
As irregularidades fazem parte da herança deixada pela administração Waldemir
A prestação de contas realizada na noite desta terça-feira (5) na Câmara Municipal de Tupã, serviu para mostrar duas situações bem conhecidas da população tupãense. A primeira é que das trinta e três (33) obras que foram licitadas pela administração Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB), apenas duas (2) estão dentro do prazo, ou seja, em situação regular. “Todas as outras trinta e uma (31) iniciadas e inacabadas estão irregulares”, afirmou o secretário de Planejamento e Obras Valetim Cesar Bigeschi.
A outra situação que ficou explicita é a omissão de pelo menos seis (6) dos dez (10) vereadores que foram reeleitos e não fiscalizaram contratos das empreiteiras, prazo de início e entrega das obras, irregularidades de projeto, falta de fiscalização do executivo e das empreiteiras. Com isso, o prejuízo aos cofres públicos são assustadores.
Dentro deste contexto de omissão estão: Telma Tulim (PSDB) e Danilo Aguillar Filho (PSB) os dois ex-líderes da ex-administração; os ex-presidentes da Câmara à época, Antonio Alves de Sousa, “Ribeirão” (PP) e Luis Carlos Sanches (PTB), Valdir de Oliveira Mendes, “Bagaço” (PDT), ex-motorista do prefeito Waldemir e Augusto Fresneda Torres, “Ninha” integrante do mesmo partido do alcaide (PSDB).
Curiosamente os mesmos vereadores sabatinaram o ex-funcionário da Secretaria de Infaestrutura e hoje atual secretário da pasta, Valentim Bigeschi. Cobraram explicações que deveriam ter sito feitas a partir de 2010, quando boa parte dessas obras foram inciadas e após quase três (3) anos, não foram concluídas. Isso implica em duplo prejuízo aos munícipes que não estão fazendo uso das obras e terão que arcar com um custo maior para finalizá-las.
Apesar do tom do discurso de que a ideia não era comparar o passado com o presente, Bigeschi foi direto: “Agora vamos fazer tudo legal. A obra terá prazo para começar e terminar”, finalizou. Há obras da administração anterior que não saíram do papel e outras apesar de “concluídas” como a do Ginásio de Esportes Elias Kenaifes, para a Caixa Econômica Federal, ela só foi concluída 74%. Waldemir disse que investiu R$ 500 mil na reforma. Esportistas garantem que chove dentro e não há como praticar esporte no local.
Há obras como a do Espaço das Artes e da Praça de Uso Multiplo (PUM) cuja a empreiteira Bardelin abandonou depois da CPI que investigou pagamento indevido por serviço não realizado. Por determinação do Tribunal de Justiça a construção foi embargada.
A prestação de contas serviu para dar transparência a maquiagem que a administração Waldemir fazia na cidade. Irregularidades graves em obras de enfraestrutura provocam alagamentos em residências, asfalto que cede com a força da enxurrada, macro-drenagem que não drena água pluvial e grande probabilidade de devolução de dinheiro público para os governos do Estado e da União, por descumprimento de prazo. Muitas empreiteiras também prestaram serviços e não receberam.
Também há obras inciadas apenas com projeto básico e empreiteira que construiu menos de um quarto (1/4) da obra e já exigia aditamento. Como se nota, a cidade vinha sendo administrada “como a casa da Mãe Joana”, referência feita por Waldemir aos advogados de Tupã que impetravam ação na Justiça exigindo pagamento de medicamentos de alto custo para pacientes portadores de graves doenças.
“SALVE JORGE”
Ainda tentando se explicar aos vereadores como atual secretário e ex-integrante da administração anterior, Bigeschi buscou inspiração na novela para justificar tanto atraso em obras como a de ampliação e reforma do Fórum e com relação a sublocação de obra. Uma empreiteira vencia a licitação e repassava para uma terceira pelo valor de 70% do valor da empreitada. Com quem ficava o dinheiro ninguém sabe.
O vereador Valter Moreno Panhosi (DEM) vai apresentar um Projeto de Resolução para instalação de uma Comissão Especial (CE) para investigar responsabilidades e eventuais atos de improbidade administrativa. O objetivo da CE é tentar ressarcir os cofres públicos sobre prejuízos financeiros. Como se nota, a novela ainda vai ter muitos capítulos e salve se quem poder. “Salve Jorge”!
A arquiteta Jeane Rosin ex-secretária de infraestrutura e obras, também foi lembrada como omissa pelo vereador Ribeirão. “Se ela sabia de alguma irregularidade, deveria denunciar e não se omitir”. Ela teria dito ao parlamentar que não assinava documento de obra irregular e, por isso, a ex-secretária de Turismo, Aracelis Gois Morales Rigoldi, assinava como arquiteta nas obras do Espaço das Artes. A formação dela é de turismóloga. O Ministério Público investiga o caso.
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