Folia 2011: fiscalização do TC constata incineração de provas de concursos denunciada pelo blog
200 funcionários públicos devem ser exonerados dos cargos da prefeitura de Tupã-SP.
O samba enredo é o mesmo de outros carnavais. Improbidade administrativa, corrupção e peculato na dispersão. Na concentração mesmo, duas centenas de famílias de cabeça baixa tentando entender o que o blog vinha denunciando sobre a administração Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB).
A verdade é que quem passava seja por méritos ou não, ninguém sentia nenhum remorso ou compaixão pelas centenas de outros candidatos que foram enganados e tiveram os cargos furtados pela turma do professor Waldemir.
Mas as denúncias feitas por vários anos eram para alertar candidatos de concursos de que a pratica de incinerar documentos sobre concursos eram criminosas. Não só escondia praticas irregulares, como também condenavam aqueles que de fato e de direito conseguiram com méritos seus feitos.
Mas a folia da incineração e de fraudes tinha um objetivo único. Não era preocupação com quem passou nos concursos de forma legal, era esconder eventuais indícios de provas contra aqueles beneficiados de forma ilícita. Portanto, quando houve o alerta, até os candidatos que passaram de forma legal deveriam cobrar das autoridades a licitude ampla e irrestrita para preservar os próprios direitos.
Agora, os beneficiados pelo esquema ficam à mercê da fiscalização e outros aprovados estão na mesma situação. Já os que acreditam ter sido aprovado por mérito, precisam torcer para que os demais concursos não sejam fiscalizados pelo Tribunal de Contas (TC). A probabilidade de isso acontecer é pequena.
Encontrada uma irregularidade é possível que outras existam. E existem. Foram concursos que aprovaram Aracelis Gois Morales (PSD), Adriano Rogério Rigoldi (PSDB) Carla Ortega Brandão (PSDB), suas amigas e várias outras (os) que contemplavam inclusive o cunhado do prefeito, filho do vice-presidente do PSDB e amantes de políticos “influentes”.
EQUIPE ASSESSORIA
A empresa sob suspeita da pratica da irregularidade em parceria com a administração Waldemir é uma velha conhecida dos leitos do blog: Equipe Consultoria e Assessoria. Há quem diga que existiria até um conluio (combinação entre pessoas para enganar ou prejudicar alguém) entre esta empresa e a ex-secretária da Educação Carla Ortega e outros integrantes do staff da ex-administração.
A verdade é que mais de duzentas (200) pessoas podem ter sido prejudicadas pela realização de um desses concursos. Claro, o número é bem maior e pode chegar a outras centenas de vítimas do esquema de fraude.
Diretamente aparecem os candidatos aprovados pelo concurso 01/11. Esse é um dos primeiros concursos realizados pela administração Waldemir Gonçalves Lopes. Sessenta e duas (62) pessoas já foram notificadas pela prefeitura, através do Recursos Humanos (RH) sobre a nulidade do certame. Houve choro, desespero de quem pagou, estudou, batalhou por uma das vagas de forma licita e assim, também foram prejudicados.
Entre os aprovados deste concurso estão ocupantes dos seguintes cargos: monitor, braçais, carpintaria, marcenaria, agente comunitário de saúde, auxiliar de atividades operacionais, vigilantes, auxiliar de consultório dentário e auxiliar de desenvolvimento infantil (creche).
FLAGRANTE
O flagrante da irregularidade praticada pela administração Waldemir Gonçalves Lopes foi constatada pelo blog e pelo auditor do TC, Alexandre Manir Figueiredo Sarquis. Agora cabe aos prejudicados procurar o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e buscar na Justiça verificar se haveria algum meio de ressarcimento desse prejuízo material e moral.
A incineração de documentos de provas de concursos, gabaritos e outros era uma praxe. Na maioria das vezes para camuflar fraude que beneficiava pessoas que a “administração” tinha interesse ou mesmo interesse pessoal deste ou daquele diretor e ou secretário (a). Uma das diretoras da Saúde com o conhecimento do ex-vice-prefeito e ex-secretário da Saúde, Cesar Donadelli (PSDB) era a responsável por transportar o material e queimá-lo em sua propriedade rural.
Muitos outros documentos foram incinerados na fornalha da Santa Casa de Misericórdia que tinha como provedor à época o tio do secretário de Governo, Adriano Rogério Rigoldi. Provas de concursos que aprovaram até médicos eram corrigidas dentro da Secretaria de Saúde. A fraude era tão promiscua que o blog atribuiu uma fala ao ex-prefeito e ele nunca deu explicações sobre o tema.
A conversa teria sido entre Donadelli e duas funcionárias da Saúde que queriam saber quando elas seriam beneficiadas. “No próximo, nesse o Adriano (Rigoldi) não vai deixar”, teria advertido o vice. “No concurso seguinte as protegidas foram aprovadas, mesmo apesar de o blog ter registrado em Cartório os nomes daquelas que seriam aprovadas”.
Dois anos depois da Folia administrativa de Waldemir Gonçalves Lopes, centenas de funcionários públicos estão “pulando” miúdo para escapar da guilhotina que já feriu muitos. Os que ainda se sentiam imunes sentem agora na própria pele que o corte é profundo e dolorido, mesmo para aqueles que não se sensibilizavam com o sofrimento das vítimas do bando que furtava a dignidade e o cargo alheio.
Share this content:



25 comments