A bandeira era o contraste no velório dos mortos da tragédia em Tupã
O tenente Martins que passou rapidamente por Tupã até ser importunado pelo trabalho que realizava na interação entre a comunidade e o serviço policial, definia bem esta situação. “Você é do bem ou do mal?”, perguntava o militar.
Esta é a bandeira. Este era o contraste nos velórios dos jovens mortos nos confrontos policiais e o do policial, na tentativa de roubo frustrada – a bandeira. Qual bandeira você defende?
Não me refiro apenas a uma analogia entre bandido envolvido nos crimes de furto, roubos, latrocínios e homicídios e “mocinhos” que vemos em ficção e na vida real, mas também a políticos e tantos outros profissionais liberais que se enveredam pelo mundo do descaminho e da corrupção.
Há também aqueles que são exemplos de prestação de serviços à comunidade, seja na vida pública ou particular. Qual bandeira você defende?
Enquanto a família dos dois jovens sentia a dor da perda, tanto quanto ou mais a família do policial também lamentava o ocorrido e consternada tentava entender o sinistro. Duas bandeiras tremulavam em sinal de luto, a meio mastro.
Enquanto na Câmara era velado o policial civil, mil metros distante dali era velado um dos rapazes e mais adiante, já no Velório Municipal, o segundo acusado do crime de tentativa de roubo.
A consternação era a mesma que tremulava no semblante de amigos e familiares, porém, distintas. Numa a marca da dor pelo caminho escolhido (do crime) e noutra, a bandeira da possível missão cumprida no exercício do dever.
A família dos jovens que se enveredaram pelo caminho do crime não teve homenagem que merecesse destaque, já no velório do policial entre as homenagens à família recebeu como consolo a bandeira da Policial Civil.
Bandeira segundo amigos que ele defendeu com entusiasmo e competência. A ausência de mais atenção à família dos acusados não significa que seus familiares foram coniventes com a bandeira que escolheram, ao contrário.
É possível que também quisessem vê-los trilhando a bandeira do trabalho, da ordem e progresso. Mas, entre a bandeira de um e de outro, a principal bandeira que as famílias mais queriam receber e, sobretudo, a população tupãense seria a bandeira da paz e da segurança.
Furtos e roubos contra residências e comércio, homicídios, latrocínios (roubos seguidos de mortes) e estupros são as marcas que mancham de sangue e angústia a bandeira tupãense.
Tentativa de roubo frustrada, terminou com corpos espalhados pela cidade numa cena sanguinolenta saída da ficção para a vida real. Tiroteio e perseguição a corpos baleados.
O empresário que seria alvo do roubo, escapou do segundo, mas do primeiro não. Possivelmente estes ou outros, agiram e levaram da empresa quase R$ 50 mil reais.
Os roubos contra mine-mercados e seus proprietários na zona Leste, padaria na zona Sul e possíveis comparsas das ações continuam na mira da Polícia. Quanto ao trabalho da Polícia, quase tudo deu certo.
Informantes apontaram para a possibilidade do crime. A Polícia acreditou e retirou a família do local e se preparou para enfrentar os marginais, entretanto, não contava com o fator surpresa.
Surpresa embalada no pojetil capaz de romper o espaço físico ocupado pelo colete do policial e transfixar o peito que ostentava o emblema do estado. A bandeira da Polícia Civil. A bandeira na mão da esposa, como consolo pela batalha quase perdida. Ficou a lição.
Cada um morre no exercício de sua função, seja bandido ou mocinho. plagiando o tenente Martins, “e você, é do bem ou do mal?” Qual é a sua bandeira? Que seja da paz e da justiça. Aos amigos do povo, a Justiça. Aos inimigos do alheio, a força e a bandeira da Lei.
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