Secretários de Waldemir investem na reforma de lotérica que custou mais de R$ 300 mil


Rigoldi pode ser hoje, um homem de cerca de R$ 2 milhões
“Estudei meu filho para ser advogado e ele vive metido no meio desse lixo”
A frase manchetada acima foi atribuída à mãe (em memória) pelo próprio filho, o secretário de Governo Adriano Rogério Rigoldi, em meados de 2000. À época Rigoldi era coordenador de Meio Ambiente da prefeitura e comandava o Projeto Reciclar é Legal. Mas o que a mãe dele não sabia é que seria do “lixo” que o filho tiraria a sorte grande. Ganhou na loteria. Ganhou a própria lotérica.
Nem o fato do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes ter exigido que o seu pupilo não pagasse o montante de R$ 302.222,22, para ganhar a licitação pela Caixa Econômica Federal, intimidou Rigoldi e sua fiel escudeira, a secretária de Cultura e Turismo, Aracelis Góis Morales.
A licitação aparece no nome da sogra, a professora aposentada Dirce Góis Morales. Na sessão que a proclamou vencedora da concorrência pública, o secretário de Governo, Adriano Rogério Rigoldi (genro) a representou. É possível que a sogra tenha apenas emprestado o nome para viabilizar o negócio.
É por essa suspeita que o vereador Valdemar Manzano Moreno (PDT) foi à tribuna da sessão da Câmara, apelar para órgãos fiscalizadores que investiguem essa e outras situações que geram dúvidas quanto à origem do dinheiro. Manzano invocou ações do Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado (GAECO), Polícia Federal e Receita Federal.
Além disso, o secretário é supostamente suspeito de enriquecimento repentino. Outras aquisições também teriam sido feitas em nomes de terceiros. A suspeita é do recebimento de mensalão do lixo, superfaturamento de contratos e outras fraudes, inclusive em licitações públicas. Chácara, investimento grandioso na propriedade, aquisição de bens duráveis, viagens e imóveis estão entre as últimas conquistas.
Para Aracelis ao falar dos bens do Adriano, não pode esquecer de comentar sobre a herança. A única e possível herança é o fusca, no qual os dois desfilam garbosamente pelas ruas da cidade. O fusca é herança dos supostos bens vendidos para fazer de conta que emprestou dinheiro, juntou economias para ajudar a sogra a adquirir uma Lotérica.
REFORMA
A Lotérica fica localizada nos altos da Rua Marília e passa por uma ampla reforma. Pedreiros e serventes trabalham supervisionados pelos secretários que são vistos constantemente no local, fiscalizando de perto mais uma parte do investimento total que pode atingir cifras próximas a R$ 500 mil, para dotar todo o local de infraestrutura para operar como concessionária da Caixa Federal.
A Lotérica fica a 3 quadras acima de uma já existente na Marília, que recentemente foi vítima de roubo. O prédio tem uma porta só, com divisória ao meio. Ao fundo deverão ser instalados ao menos dois caixas para atendimento ao público. De acordo com pessoas do ramo, um caixa atendendo o dia inteiro rende em média ao proprietário em torno de R$ 5 mil reais. Dois caixas possibilitariam aos proprietários um retorno de livre de R$ 10 mil. Um bom começo para o casal que recebe bem menos como secretários da Administração.
Esse não seria um dos primeiros investimentos do casal que já adquiriu outros bens imóveis. O patrimônio saltou do zero para cifras astronômicas em cerca de 5 anos. Há até bens em nomes de laranjas e a sogra pode ser uma delas.
Como professora aposentada, Dirce Góis Morales, moraria num imóvel simples na Vila Marajoara. Aposentou-se recentemente. Uma das últimas escolas a dirigir foi na cidade de Quintana. Por mais um pouco, ela não poderia ter possivelmente emprestado o nome para participar de uma concorrência pública. A legislação impede isso.
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