Waldemir tenta impedir criação da CPI “Das Artes” para investigar possível desvio de dinheiro para “Caixa 2”
Prefeito de Tupã-SP determinou realização de reuniões para tentar bloquear qualquer chance de instauração de uma Comissão Processante de Inquérito (CPI).
As reuniões começaram pela manhã e estenderam-se até o período da tarde. Às 16h15, o empresário Rogério Bardelin foi visto entrando às pressas no Paço Municipal acompanhado de um homem. É possível que reuniu-se com o prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB), para juntos estudarem uma eventual “defesa” sobre a acusação.
Enquanto isso, a ordem já foi explicita para os vereadores da base aliada, ninguém assina o pedido de CPI feito na sessão desta segunda-feira (4) pelo presidente da Câmara, Luis Carlos Sanches (PTB), encarcerado na quinta-feira (31) no prédio do Espaço das Artes.
Ainda hoje (5) vários vereadores foram notificados e receberam documentos que comprovariam as supostas irregularidades de pagamentos indevidos à Construtora Bardelin LTDA. A representação também era preparada nesta tarde para encaminhá-la ao Ministério Público (MP).
LÁGRIMAS, BOIS E TERRAS
Antes do encontro entre o prefeito e o empresário na tarde desta terça-feira, ainda no período da manhã, reuniram-se os secretários Adriano Rogério Rigoldi (Governo), Aracelis Gois Morales (Cultura e Turismo), engenheiros e outras pessoas do staf do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes, para avaliar a repercussão da denúncia.
O clima teria ficado tenso quando um dos participantes teria dito que todos iriam para a Cadeia “e eu estou fora”, advertiu o interlocutor. Mas não está. Foi nesse momento que a secretária Aracelis chorou. Adriano esbravejou de forma teatral: “Waldemir e o César que vendam seus bois e suas terras se quiserem dinheiro para a campanha”. A referência seria sobre supostos pagamentos antecipados à empreiteira ou “Caixa 2”?
A verdade pode ser que o prefeito Waldemir Gonçalves Lopes sabe como o possível esquema funcionava e assinava por ele. Adriano era o intermediário e contaria com parceria das secretárias Aracelis e Carla Ortega Brandão (Educação). Esta última merece tópico à parte. Já a secretária Aracelis negou que seja arquiteta, em entrevista ao Programa “Rotativa no Ar” da Rádio Tupã AM.
Apesar do que disse, Aracelis assinava desde 2010 como tal, possivelmente numa tentativa de convencer a liberação de recursos do Governo do Estado. Antes, no início do projeto, ainda quando ele era avaliado em cerca de R$ 1,1 milhão, a secretária Aracelis Gois Morales assinava documento de ordem de pagamento como professora e não Arquiteta. É um indício de que o fato não poderia passar desapercebido, afinal não foi uma única vez.
Documentos assinados pelo prefeito Waldemir Gonçalves Lopes, de posse do blog demonstram a secretária de Cultura e Turismo assinado como arquiteta, em 20 de julho de 2010 e, em 14 de fevereiro de 2011.
JEANE ROSIN
O vereador Antonio Alves de Sousa, “Ribeirão” (PP) comentou da tribuna da Câmara na sessão desta segunda-feira (4), que a secretária de Planejamento e Obras, arquiteta Jeane Aparecida Rombi de Godoy Rosin não aparecia como responsável pela autorização dos pagamentos e ou afirmando a realização dos serviços para preservar-se das supostos irregularidades. “A senhora me confidenciou, que não assina o que não vê”, afirmou o parlamentar.
Apesar do que disse o vereador, na petição de nº 7.756/2010, sobre aditamento de contrato, cujo interessado aparece o empresário Rogério Montes Bardelin, o engenheiro Rasi encaminha o pedido para análise da secretária Jeane Rosin. Em 20 de setembro de 2010, o profissional afirma: “é pertinente, diante da necessidade a realização dos serviços tendo em vista que não estavam previstos e não eram de responsabilidade da empresa”.
O aditamento importou no valor de R$ 184.216,99. A partir dessa data não haveria mais nenhuma assinatura da secretária Jeane Rosin ratificando ou autorizando qualquer tipo de serviço. A partir de então, outros aditamentos sucederam-se e ao que constam de documentos, apesar do prédio inacabado, ele aparece no papel e com pagamentos feitos como se praticamente estivesse semi-concluído.
Reboco e pintura externas, janelas e portas afixadas, piso do palco, cobertura, enfim. Porta de mais de R$ 8 mil. A obra inicialmente orçada em pouco mais de R$ 1 milhão já teria ultrapassado R$ 2,3 milhões. E tudo o que consta como serviço executado nada havia sido feito, mas a construtora já teria recebido pelo pseudo serviço.
CPI
Para instalar a CPI são necessários 4 assinaturas e não 3 como imaginava-se. Luis Carlos Sanches (PTB), Valdemar Manzano (PDT) e Ribeirão (PP) assinariam. Depois começa o dilema para viabilizar apenas mais uma.
Danilo Aguillar Filho (PSB) ainda comanda s Secretaria de Agricultura e Augusto Fresneda Torres, “Ninha” (PSDB) que já foram integrantes do G-4, depende de conseguir legenda para sair candidato a reeleição. Depois vem os vereadores da base aliada e que com certeza não se atreveriam a assinar o documento.
São eles: Telma Tulin (PDSB) que teria manifestado a favor da investigação; o líder do prefeito, Lucas Machado (PSDB), Lucilia Donadelli (PV); Valdir de Oliveira Mendes “Bagaço” (PDT), beneficiado com cargo de motorista no gabinete e Valmir Zoratto, “Padre Paçoquinha” (PSD).
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