CPI das Artes apurou pagamento indevido à construtora Bardelin
O relatório que será feito até sexta-feira, será encaminhado ao Ministério Público de Tupã, SP
A tentativa em vão do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB) para desqualificar a denuncia sobre irregularidades nas obras do Espaço das Artes, não passou de uma encenação amadora e barata para uma obra pública cara e que promete trazer grandes espetáculos teatrais para Tupã.
“Tem alguma coisa errada aqui Jeane, tem alguma coisa errada aqui Bardelin, tem alguma coisa errada aqui Rasi?”, perguntava esbravejando o chefe do Executivo tupãense. Todos os subordinados dele balançavam a cabeça acenando que não. Claro que não, o circo havia sido armado para colocar nariz de palhaço na cara do povo. “As mascaras vão cair”, disse dias depois à secretária de Cultura e Turismo, Aracelis Goes Morales, principal suspeita de comandar as irregularidades, referindo-se as supostas acusações que o blog e a Câmara fazia à administração.
Pois bem, foram encerrados nesta terça-feira (6) todos os depoimentos de testemunhas e envolvidos no escândalo que culminou com a primeira Comissão Processante de Inquérito (CPI) a investigar um prefeito em Tupã. Foram ouvidos: a secretária de Cultura e Turismo, Aracelis Goes Morales; o empreiteiro Rogério Bardelin, acusado de ter recebido sem prestar os serviços de acabamento da obra; o engenheiro José Roberto Rasi; o músico Jess Aparecido Coelho; o arquiteto da Secretaria do Planejamento Valentin César Bigeschi e o autor do projeto de arquitetura Edivaldo Sanches. Ele doou o projeto do Espaço das Artes para a prefeitura e não participou de nenhuma eventual alteração que a obra tenha sofrido.
O presidente da Comissão Processante de Inquérito “CPI das Artes”, vereador Lucas Machado (PSDB) disse que pretende manter em sigilo ao menos até o vereador-relator Valmir Zoratto (PSD), concluir seu parecer.
A ACUSAÇÃO
De acordo com a denúncia feita oficialmente pelo presidente da Câmara, Luis Carlos Sanches (PTB), a Construtora Bardelin teria recebido por serviços não executados como: piso, pintura, reboco, telhado, colocação de janelas, portas e outros. Por esses serviços não realizados a construtora teria recebido adiantada mais de R$ 160 mil.
As planilhas eram conferidas e atestadas como legal pelo engenheiro José Roberto Rasi, lotado na Secretaria de Planejamento comandada pela arquiteta Jeane Rosin. Já a turismóloga Aracelis teria sido responsável por alteração do projeto, aditamentos de valores sem constar em documentos e assinava até como arquiteta, numa possível intenção de enganar técnicos do governo estadual.
Os documentos que comprovariam as irregularidades foram obtidos pelo blog e repassados ao presidente do Legislativo que durante a tentativa de constatar “in loco” foi apreendido na obra e só liberado com a intervenção da Polícia. Após as denuncias o prefeito reuniu todo o seu staf e foi até o espaço teatral “encenar” legalidade e acenar para uma suposta ação política com a intenção de desmoralizar sua administração. O fato é que até o Tribunal de Justiça embargou a obra para apurar as irregularidades vistas a olho nu.
Um dos depoimentos mais importantes, foi o do arquiteto Valetin Cesar Bigeschi. Não há informação sobre o teor de suas declarações, mas não será novidade se ele direcionar eventuais situações que possam comprometer ainda mais a principal pivô Aracelis que faz parte do Núcleo Íntimo da Administração (NIA). Esse núcleo é composto ainda por Adriano Rigoldi e Carla Ortega Brandão, entre outros.
O NIA foi uma denominação encontrada pelo blog para nomear as pessoas mais próximas do prefeito Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB). Quase sempre são elas, as mesmas a se envolverem em situações de promiscuidades administrativas como: fraudes em licitações, concursos públicos, notas frias, superfaturamento em eventos e outros possíveis atos de improbidade e peculato.
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