TUPÃ CRIA NOVA REGRA APÓS SUSTO NA PRAÇA DA BANDEIRA
Vendaval que transformou tenda em arma na estrutura do FEFOLT faz Tupã sair na frente e criar protocolo de segurança com previsão de tempestades
Uma semana depois da publicação da matéria “Tenda vira arma em tempestade, a Prefeitura de Tupã (SP) agiu. Saiba mais: por que insistir em evento com previsão de ventania é colocar a população em risco?
O prefeito Renan Victor Pontelli (PSDB) assinou decreto estabelecendo novas normas para a realização de eventos públicos e privados no município em caso de previsão de tempestades. A medida é inédita na região e coloca Tupã como referência em gestão de risco climático.
AS 5 PRINCIPAIS MEDIDAS
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Cancelamento e suspensão de eventos: É criado um regime excepcional que autoriza a suspensão ou cancelamento de eventos, atividades e programações — tanto públicas quanto privadas — que ocorram em áreas externas ou sob condições que gerem aglomerações expostas a riscos climáticos.
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Direitos do consumidor: Os organizadores de eventos privados afetados pelas suspensões ficam obrigados a adotar providências imediatas para a remarcação, cancelamento e proteção dos direitos dos consumidores.
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Ações em áreas de risco: O poder público municipal ganha respaldo para realizar vistorias, interdições preventivas, evacuações e o isolamento de vias, espaços públicos e edificações que apresentem risco iminente à comunidade.
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Mobilização de recursos: Fica autorizada a mobilização prioritária de servidores, veículos, maquinários (como geradores, bombas e caminhões) para limpeza, drenagem, desobstrução de ruas e podas emergenciais de árvores.
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Assistência social: O município está estruturado para garantir alojamento provisório, acolhimento, alimentação e transporte para famílias que eventualmente fiquem desalojadas ou desabrigadas por conta das chuvas.
NO MESMO DIA, AULAS SUSPENSAS
No mesmo dia 11 em que o decreto foi baixado, o prefeito já colocou a nova regra em prática. As aulas nas escolas municipais e particulares de Tupã foram suspensas devido ao alerta de risco de temporal emitido pela Defesa Civil e pelo governo do estado.
A medida, oficializada por decreto publicado no Diário Oficial, atende às orientações da Defesa Civil do Estado de São Paulo. A suspensão visa garantir a segurança e a preservação da integridade física dos alunos, professores, servidores e da comunidade escolar, reduzindo a circulação durante o alerta. O decreto prevê que a suspensão poderá ser prorrogada, reduzida ou revogada conforme a evolução das condições meteorológicas.
PREVISÃO DE TORNADO MARÍLIA?
O prefeito de Marília (SP), Vinicius Camarinha (PSDB), também armou uma grande estrutura de proteção e anunciou suspensão de aulas e expediente a partir das 14h/16h, além de abrigo em escolas municipais. Nas redes, circulou a informação de que “um tornado passaria por Marília”.
O que realmente foi previsto:
Houve, sim, alerta oficial para possibilidade de tornado, mas não previsão de trajeto certo sobre a cidade.
A nota oficial da Prefeitura de Marília dizia:
“De acordo com o coordenador da Defesa Civil municipal, Luiz Bissoli, a Defesa Civil estadual emitiu o alerta com a possibilidade de formação de tornado.” E que “as condições mais críticas são previstas para as Regionais de Presidente Prudente, Marília, Registro, Itapeva e Sorocaba.
“O Governo de SP reforçou: “previsão da passagem de um tornado pelas regiões de Presidente Prudente, Marília, Itapeva, Sorocaba e Registro” – entendendo-se como áreas de risco, não como rota definida.
Já a meteorologia técnica (Meteored Brasil) previa exatamente o que aconteceu:
“Na sexta-feira (11), o ciclone já está tomando forma no Sul do Brasil […] No período da noite, a frente fria associada ao ciclone extratropical está formada e atua entre São Paulo e o Paraná. Alerta de tempo de chuvas intensas e para o risco de tempestades severas no oeste e regiões de divisa com o território paranaense”.
Em termos meteorológicos, isso significa: ambiente muito favorável a tempestades severas, com ventos acima de 100 km/h, granizo, microexplosões e, pontualmente, condição para tornado isolado – que tem chance de 2% a 5% de se formar. É protocolo da Defesa Civil alertar para tornado sempre que esse cenário existe.
Portanto, não houve erro do prefeito de Marília em agir. A ação foi correta e preventiva. O que não existiu foi um boletim dizendo “um tornado vai passar dentro de Marília às 20h”. Houve alerta de risco regional – e Tupã e Marília fizeram o certo: previu temporal, protege a população.
A diferença entre os dois municípios é justamente essa: Tupã transformou o alerta em decreto com regras claras de prevenção, como cobrou a reportagem do JN.
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