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Vítima de importunação na Casa de Apoio de Iacri procura reportagem após comentários em defesa de “Geraldinho”

Vítima de importunação na Casa de Apoio de Iacri procura reportagem após comentários em defesa de “Geraldinho”

Professora diz que o vereador a agarrou e tentou beijá-la à força dizendo “sonhei a noite toda com você”. Caso foi registrado na DDM de Marília. Ele nega e acusa “armação política” – ouça matéria

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Casa de Apoio aos pacientes de Iacri, no bairro Fragata, em Marília, local de ato libidinoso denunciado por professora

“Ele chegou por trás e tentou me beijar. Eu estava sentada e ele chegou a encostar parte da boca na minha, mas imediatamente o empurrei. Fiquei muito assustada e constrangida”.

O relato é da professora de Tupã (SP) que registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher – DDM de Marília, comandada pela delegada Darlene Rocha Costa Tozin, contra o vereador Geraldo Rodrigues dos Santos, conhecido como “Geraldinho Lagoa” (PL), de Iacri. Ela estava acompanhada de uma testemunha no momento do registro. A diretora da escola onde trabalha também a acompanhou até a delegacia.

Segundo o depoimento da vítima, o caso teria ocorrido na Casa de Apoio aos Pacientes de Iacri, localizada na Rua Takeo Muruyama, 285, bairro Fragata, em Marília (SP). O local é mantido pela Prefeitura de Iacri para acolher moradores do município que fazem tratamento de saúde na cidade.

Saiba mais: Caso de importunação sexual contra vereador do PL de Iacri movimenta até deputados

Nota da redação: O nome da testemunha foi alterado para “Mariana” para preservar a identidade e proteger a pessoa envolvida.

O RELATO DA VÍTIMA NA DDM

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Delegada Darlene Rocha Costa Tozin – Foto: Marcelo Martin/Marília Notícias

Em depoimento, a professora contou que começou a usar o transporte e a Casa de Apoio em 27 de abril:

“Sou professora e, diariamente, utilizo o primeiro ônibus com destino a Marília para chegar ao trabalho. Nesse período, fiz amizade com Mariana, estudante em Marília.

Em determinado momento, Mariana deixou de utilizar o ônibus porque passou a morar em Iacri. Ela me ofereceu a possibilidade de acompanhá-la em uma van, explicando que o motorista não se opunha a dar carona. A partir de então, em 27 de abril, passei a utilizar a van junto com ela, o que nos permitiu economizar com transporte e também ter a possibilidade de dormir um pouco mais.

O motorista da van passou a me buscar no trevo, conforme combinado, e me deixava em Marília. Como minha amiga também estudava em Marília, ele igualmente a deixava na cidade.

Em determinado momento, o motorista comentou que havia uma casa de apoio em Marília e que, após as 17h, o local praticamente ficava vazio. Ele então me ofereceu a possibilidade de utilizar essa casa para dormir, pois todas as quartas-feiras preciso cumprir horas de estudo na escola e passei a permanecer na casa durante as quartas-feiras à noite. Dessa forma, eu poderia evitar o deslocamento de retorno para casa e novamente para Marília no dia seguinte. Ele chegou a comentar que eu poderia ficar a semana toda no imóvel.

Aceitei a proposta. Eu ficava com a chave e a levava comigo para poder entrar e permanecer no local durante a noite.

Em uma determinada quarta-feira, permaneci na casa de apoio durante a noite, finalizando um documento no notebook. Na manhã de quinta-feira, eu estava sentada na copa, trabalhando no documento, quando o motorista chegou à casa de apoio antes dos demais. Enquanto ele entrava na casa Mariana permanecia do lado de fora, ajudando alguns pacientes a descerem da van.

Nesse momento, Geraldo se aproximou de mim por trás e tentou me beijar. Eu estava sentada e ele chegou a encostar parte da boca na minha, mas imediatamente o empurrei. Fiquei muito assustada e constrangida com a situação e questionei o motivo daquela atitude.

Ele respondeu: ‘Sonhei a noite toda com você.’

Logo depois, alguns pacientes começaram a entrar na casa, juntamente com Mariana. O motorista saiu para levar alguns pacientes para exames que estavam agendados.

Fiquei muito abalada e comecei a chorar. Contei imediatamente à Mariana o que havia acontecido, e ela me disse que eu não precisava passar por aquela situação sozinha. Ela se colocou à disposição para conversar com ele junto comigo.

Quando o motorista retornou, expliquei que havia ficado muito constrangida com o ocorrido e que estava me sentindo muito mal diante daquela situação. Ele pediu desculpas.

Mariana também manifestou sua indignação com o que havia acontecido e deixou claro que considerava a situação inadequada.

Eu observo que o acusado nunca havia agido daquela forma desrespeitosa, era prestativo, por isso fiquei surpresa com o ataque.

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Geraldinho fez duas ligações para a professora na data da acusação na DDM

Depois desse episódio, ocorrido na manhã do dia 18 de junho, não voltei a conversar com o motorista. Ainda no mesmo dia, ele tentou entrar em contato comigo por telefone para conversarmos, porém não atendi à ligação.

Desde então, não tive mais qualquer conversa com ele.

Quando cheguei na escola em que trabalho, a diretora me acompanhou para realizar B.O.

Por isso estou muito surpresa, e chateada, com tantos comentários pesados, o que me motivou a procurar a reportagem”.

O OUTRO LADO

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“Geraldinho Lagoa” conta com ampla rede de apoiadores que vai de eleitores, o prefeito Clebinho e a deputados do PL

Após a repercussão, o vereador Geraldinho divulgou uma nota pública nas redes sociais negando as acusações.

Saiba mais: Vereador “Geraldinho”, de Iacri, nega denúncia de importunação sexual e diz que acionará a Justiça

Desde 2018, o Código Penal tipifica a importunação sexual ou qualquer ato libidinoso como crime, por meio do artigo 215-A. A pena é de reclusão de 1 a 5 anos. A pena pode ser aumentada em até 1/3 se o agente se prevalecer de cargo ou função.

Nota da redação: Qualquer pessoa é considerada inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. O nome da vítima e da testemunha são preservados para proteger a identidade.

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Jota Neves é um radialista e jornalista investigativo com mais de 35 anos de atuação, referência em comunicação no interior paulista, reconhecido pelo compromisso com a verdade, o combate à corrupção e reportagens de impacto sobre a sociedade.

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