Renan não foi eleito para fazer show e já pode cancelar a Exapit 2027
Não será surpresa o cancelamento da Exapit 2027. O que causou estranheza foi o anúncio prematuro do evento deste ano.

No fim de abril, quando teve início uma “pesquisa” para definir a grade de shows, e até o lançamento oficial, em 6 de maio, já se sabia que outras festividades se aproximavam no município de Tupã (SP): a III Bienal Tupã Mais Verde, o Tupã Junina, os 68º Jogos Regionais e o Festival de Folclore.
Nenhum desses eventos, anteriores à Exposição Agropecuária e Industrial de Tupã (Exapit), teve a programação divulgada, mesmo com as datas próximas, como exige o calendário. Diante de um cenário que já pedia equilíbrio fiscal, por conta da queda na arrecadação e dos reflexos das guerras na economia mundial, o cancelamento era previsível.
A propósito, o prefeito Renan Pontelli [PSDB] não foi eleito prometendo dois shows por noite na Exapit, com arena coberta, Carnaval pomposo ou Tupã Junina nos moldes de feira agroindustrial. O que o levou ao Paço Municipal foi uma proposta exatamente oposta.
A ideia inicial e que deve prevalecer é a de priorizar políticas públicas essenciais: educação, saúde, desenvolvimento social e infraestrutura. O objetivo era e deve ser a de gerar emprego e renda de forma sustentável, e não apenas pontual.
Seguindo esse raciocínio, Renan chegou ao poder com caneta na mão e autoridade para cancelar o Carnaval, o Tupã Junina e a Exapit 2025, e até os eventos de 2026, se fosse necessário, em nome do propósito vitorioso de sua campanha de 2024.
De fato, quem realiza a feira, por direito, é o Sindicato Rural de Tupã. A entidade mantinha contrato com a empresa Cabeludo Eventos até o falecimento do empresário de shows Emerson Caires, hoje substituído por um “religioso” admirador de eventos.
Na mesma linha, é desnecessário seguir prometendo o que não será cumprido. Também é arriscado antecipar projetos e ações sem perspectiva de recursos ou que comprometam o equilíbrio fiscal e a manutenção da máquina administrativa.
REGRAS CLARAS

Este era o momento exato para justificar, mais uma vez, por que não investir dinheiro e tempo em um evento como a Exapit. O período eleitoral já era conhecido desde o início do atual governo. Por conta disso, os recursos são escassos e há regras claras sobre como podem ser utilizados.
O prefeito Renan Pontelli já pode antecipar e justificar o cancelamento da Exapit 2027. O ano tende a ser ainda mais difícil, com reflexos negativos e mais acentuados na arrecadação de impostos. Independentemente de quem vencer as eleições estaduais ou federais, será preciso “fechar as torneiras”, também em nome do equilíbrio fiscal.
Além disso, desde o ano passado, as emendas parlamentares com desvio de finalidade para contratação de shows estão na mira do STF [Supremo Tribunal Federal] e da PF [Polícia Federal]. Isso tem inviabilizado que municípios bancassem despesas com eventos dessa natureza. O momento é de pragmatismo.
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