Prefeito de Quintana “levanta a voz” e cobra PM por falta de efetivo e viaturas na região
Liderança regional questiona segurança pública ao vivo no Programa “Rotativa no Ar” da Rádio Nova Tupã, nesta segunda-feira (3). Herculândia opera com metade do efetivo e Bastos perdeu viatura da Patrulha Rural
O prefeito de Quintana (SP), Fernando Itapuã (PSD), decidiu levantar a voz e cobrar publicamente as autoridades de segurança pública do estado por mais atenção às cidades pequenas da região de Marília. Segundo ele, a população dessas cidades não pode continuar sendo tratada com “falta de respeito e consideração”.
A manifestação de Fernando Itapuã escancarou um problema que vem sendo relatado por moradores de Herculândia, Bastos e agora Quintana, todos atendidos pelo Nono Batalhão da PM, com sede em Marília, através da 2ª Companhia com sede em Tupã: falta de efetivo e falta de viaturas para manter o serviço ostensivo e preventivo.
COBRANÇA
De acordo com o prefeito de Quintana, além da falta de policiais, o município sofreu um duro golpe: a viatura destinada para Quintana pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi retirada da cidade.
“Não dá para fazer segurança pública sem gente e sem viatura. Nossa população paga imposto, cumpre com suas obrigações e tem direito a ser protegida. Vamos cobrar mais respeito”, afirmou Fernando Itapuã.
Ele destaca que a cobrança não é só por Quintana, mas pelas cidades vizinhas que enfrentam a mesma dificuldade e não têm espaço para reivindicar.
Herculândia sem efetivo
O cenário mais crítico está em Herculândia. O município conta oficialmente com seis policiais militares, mas apenas três estão atuando na cidade. Um está de férias e outros dois foram deslocados para cumprir serviços administrativos na sede da Segunda Companhia da PM, em Tupã e no município de Quatá. Com isso, em vários dias, Herculândia ficava com apenas uma dupla de PMs para atender ocorrências na área urbana e rural e, ainda, dar cobertura em Quintana.
Viaturas para oficiais

O caso de Quintana se repete em Bastos. Em 2025, a viatura I09250, que pertencia à Patrulha Rural de Bastos, foi retirada do município e levada para Tupã.
A viatura havia sido entregue ao município de Bastos ainda na administração do ex-prefeito Manoel Rosa (MDB), justamente para reforçar o policiamento nas áreas rurais.
O detalhe agrava a situação porque cerca de 1/4 da população de Bastos vive na zona rural, por conta da principal economia da cidade, que é a avicultura. Sem a viatura específica para o campo, o atendimento a granjas, sítios e estradas rurais ficou prejudicado.
A crítica que cresce nos bastidores políticos e entre moradores é que viaturas retiradas do policiamento ostensivo e preventivo das cidades pequenas têm sido usadas pelos oficiais nas sedes das companhias, enquanto a ponta, nas ruas dos municípios, fica descoberta.
O que diz a PM
Procurado pela reportagem, o comandante da Segunda Companhia da PM, com sede em Tupã, capitão Cristiano Butarelli disse que está de férias fora do Estado e retorna nesta terça-feira (4). Ele orientou que as demandas fossem encaminhadas ao Tenente Reine, que está respondendo pela companhia no período.
Sobre Herculândia, o comandante afirmou que “sempre houve policiamento” no município. Segundo ele, a gestão sempre foi “excelente” e que desconhece as informações de redução do efetivo. O oficial também disse que “nunca fomos notificados oficialmente” pela população de Herculândia sobre o problema.
Insegurança e cobrança

Em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, moradores das três cidades têm relatado crimes contra o patrimônio (furtos, roubos), o tráfico crescente e sensação de abandono na segurança pública. Comerciantes exigem em Herculândia que a viatura que fica trancada no destacamento saia em ronda.
Especialistas em segurança pública apontam que cidades com menos de 20 mil habitantes são as mais afetadas por esse tipo de remanejamento, já que acabam cedendo efetivo para cidades-polo como Tupã e Marília.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e aguarda posicionamento sobre a reposição de efetivo e viaturas para os municípios.
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