PAÇO DA DISCÓRDIA – CPI já apurou R$ 2,5 milhões de gastos e vereadora pede “acordo” para aprovar R$ 9,5 milhões
Vereadora Márcia Caldas pede “acordo” sem detalhar e é questionada por colega do Podemos. Bidóia quer mais R$ 1 milhão para Paço com CPI em andamento

Uma fala da vereadora Márcia Aparecida da Silva Caldas (Solidariedade), durante sessão na Câmara Municipal de Quatá (SP) gerou resposta pública e expôs a tensão em torno dos projetos de financiamento enviados pelo Executivo.
Márcia defendeu que seria necessário um “acordo” entre Legislativo e Executivo para aprovar os projetos, mas não deixou claro que tipo de acordo queria. Foi quando o vereador Luiz Adilson Guimarães Alves (Podemos), questionou a fala da colega. Ele perguntou a que tipo de acordo ela se referia, dando a entender que cheirava a negociação escusa ou “negociata com o prefeito”.
Luiz Adilson ainda pediu que seu questionamento constasse em ata da sessão do dia 15 de junho, a última realizada antes do recesso parlamentar, que termina nesta segunda-feira (3).
Em resposta, outro parlamentar rebateu as declarações e disse que o debate precisa ser feito com base em informações técnicas e não em “achismos”.
7 projetos – 2ª vez
O prefeito de Quatá, Márcio Bidóia (PSD), já protocolou em 29 de maio, agora pela segunda vez, os projetos de financiamentos que deseja que a Câmara aprove. Ao todo agora são 7 que somam R$ 9,5 milhões:
- Reconstrução do Balneário Municipal – R$ 2,7 milhões
- Construção de novo cemitério – R$ 1,8 milhão
- Conclusão das obras da Santa Casa – R$ 1,1 milhão
- Obras e drenagem – R$ 1,1 milhão
- Reforma e readequação do Paço Municipal – R$ 1 milhão
- Compra de motoniveladora – R$ 1 milhão
- Implantação de Usina Fotovoltaica – R$ 800 mil
CPI já apurou R$ 2,5 milhões gastos
Os projetos geram ainda mais polêmica porque já há uma CPI tramitando na Câmara para apurar as obras de reforma do Paço Municipal iniciadas ainda na administração de Marcelo de Souza Péchio (PSD), que tinha Bidóia como vice-prefeito.
Segundo informações levantadas pela comissão, a CPI já apurou gastos de R$ 2,5 milhões com a reforma do Paço. A obra nunca termina. Ainda assim, o atual prefeito quer financiar mais R$ 1 milhão para concluir a reforma.
O valor de R$ 5,5 milhões citado no debate em plenário se referia a parte desse pacote (agora ampliado para R$ 9,5 milhões). Os projetos ainda estão em análise nas comissões da Câmara.
Base reduzida e cenário regional
Atualmente o prefeito Márcio Bidóia conta com apenas quatro dos nove vereadores na sua base aliada, o que em tese dificulta a aprovação dos projetos que dependem de maioria simples.
Por outro lado, a maioria das Câmaras Municipais da região tem aprovado esse tipo de financiamento. O argumento usado pelas prefeituras é de que os municípios não dispõem de recursos próprios para fazer altos investimentos e precisam recorrer a empréstimos para viabilizar obras estruturantes.
Em Tupã
A legislatura passada da Câmara de Tupã (SP) aprovou projetos de autoria do ex-prefeito Caio Aoqui (PSD) que permitiram ao município contrair empréstimos de R$ 33 milhões.
Clima tenso em Quatá
Vereadores de oposição questionam a necessidade dos empréstimos, os juros, o prazo de pagamento e a capacidade de endividamento do município. Já a base do governo defende que sem o recurso algumas obras importantes ficarão paradas.
Nos bastidores, assessores e servidores relatam que o assunto tem dividido o plenário. O embate público entre Luiz Adilson e Márcia Caldas na sessão de 15/06 foi visto como reflexo dessa divisão. Márcia Caldas atualmente é opositora, mas apoiou a candidatura de Bidóia.
A reportagem contatou a parlamentar através de seu e-mail de contato da Câmara de Quatá, no dia 29 de julho, mas até a publicação não houve resposta. A Prefeitura também não se manifestou sobre a polêmica.
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