ANÁLISE: Candidatura de Caio Aoqui (PSD) a deputado estadual chega sem mobilização de Tupã
Tupã é o seu principal colégio eleitoral e a aposta é em voto casado com Tarcísio
Apontado como principal nome do PSD na região de Marília (SP) para a disputa à Assembleia Legislativa neste 4 de outubro, o ex-prefeito de Tupã (SP) Caio Aoqui entra na reta final da campanha para deputado estadual com um sintoma que tem chamado a atenção nos bastidores: a baixa mobilização em seu próprio colégio eleitoral.
Prefeito de Tupã por dois mandatos, Caio fez de Tupã sua base política, com votação expressiva em 2016 e 2020 e com capital eleitoral que, em tese, deveria se traduzir em estrutura de campanha, apoios de vereadores, lideranças de bairro e presença nas ruas. O que se vê, no entanto, segundo relatos de lideranças e movimentação nas redes, é uma campanha mais fria na cidade do que se esperava de quem tem aqui seu domicílio eleitoral.
A ausência de uma mobilização tem dois efeitos práticos:
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Perda do fator “dobradinha” e da tração local: Historicamente, candidatos a deputado que são de Tupã dependem de fazer 40% a 50% dos votos válidos na cidade para viabilizar a eleição. Sem comitês de bairro ativos, sem corpo a corpo intenso no comércio e sem engajamento de cabos eleitorais tradicionais, o volume de votos na origem fica diluído.
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Abertura de espaço para concorrentes: Tupã, por ser a maior cidade da microrregião, sempre foi cobiçada por candidatos de Marília, Assis e da capital. Quando o candidato local não ocupa o espaço, outros com estrutura maior acabam capturando parte desse eleitorado.
Nos bastidores, aliados do ex-prefeito atribuem a estratégia a uma campanha mais regionalizada, focada em outras cidades onde o PSD tem prefeituras aliadas. Já adversários avaliam que a falta de tração em Tupã reflete o desgaste natural após deixar a prefeitura e a dificuldade de transferir o capital de voto de prefeito para deputado.
Em termos eleitorais, o desempenho em Tupã no dia 4 de outubro será o termômetro. Se a votação na cidade ficar abaixo do esperado, a candidatura, mesmo bem votada fora, pode ter seu desempenho geral comprometido, já que o Tribunal Superior Eleitoral exige coeficiente eleitoral alto para deputado estadual em São Paulo – mais de 90 mil votos para ter chance real.
A eleição deste domingo vai mostrar se Tupã ainda é um colégio eleitoral cativo de Caio Aoqui ou se o eleitorado local optou por novos nomes.
Voto casado com Tarcísio
Um elemento que ajuda a explicar a campanha mais fria de Caio Aoqui em Tupã, seu principal colégio eleitoral, é uma aposta de bastidor que circula entre aliados do ex-prefeito.
A avaliação interna seria de que, se o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) repetir em Tupã neste domingo (4) o desempenho que teve na cidade em 2022, quando foi muito bem votado, parte desse eleitorado migraria automaticamente para Caio Aoqui por associação de palanque – já que Caio está no PSD, partido da base de Tarcísio, e tem tido o apoio explícito do prefeito Renan Pontelli (PSDB), que também se alinhou ao governador.
Nessa lógica, o voto em Tarcísio puxaria o voto em Caio Aoqui, o chamado voto casado, e isso independeria de uma mobilização intensa de rua, de comitês e de corpo a corpo tradicional em Tupã.
É uma estratégia de risco.
Em 2022, Tarcísio de fato teve votação expressiva em Tupã, mas o eleitor de governador não vota automaticamente no deputado do mesmo palanque. A disputa para a Assembleia é muito mais pulverizada e depende de identificação pessoal, de pedidos diretos de vereadores, lideranças de bairro e de presença no dia a dia da cidade.
Ao apostar que quem vota em Tarcísio votaria nele também, Caio Aoqui abre mão do trabalho de base que historicamente garantiu a eleição de deputados com domicílio em Tupã, que é fazer 10, 15, 20 mil votos na própria cidade para depois buscar complementação na região.
Se a transferência de votos de Tarcísio não ocorrer na proporção esperada, a falta de mobilização em Tupã pode custar caro e comprometer o desempenho geral da candidatura no Estado, onde a disputa por uma cadeira na Alesp exige mais de 90 mil votos.
O resultado das urnas neste domingo vai mostrar se a aposta no voto casado se sustenta ou se a ausência de mobilização na base foi um erro de cálculo estratégico.
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