ANÁLISE II: Caio Aoqui desidrata em seis anos e perde quase 10 mil votos em Tupã
Os números mostram que Caio Aoqui, de mais votado da história em 2020, chega a 2026 como uma liderança em encolhimento em sua própria cidade.
TUPÃ – A eleição deste domingo (4) escancarou a desidratação eleitoral do ex-prefeito Caio Aoqui (PSD) em sua principal base.
Candidato a deputado estadual, Aoqui não se elegeu e somou em Tupã 12.951 votos. O número representa uma queda de 9.540 votos em relação ao auge de sua carreira política.
Em 2020, ele foi eleito prefeito com votação histórica: 22.491 votos, o mais votado da história da cidade. Hoje, seis anos depois, perdeu 42,4% desse eleitorado.
A sucessão que não deu certo
O primeiro sinal de desgaste já tinha aparecido em 2024. Ao tentar fazer o sucessor, o candidato apoiado por Aoqui, Wilson Quiles, o “Quilão” (PSD), obteve 15.207 votos e não conseguiu transferir de forma eficiente o capital eleitoral de 2020. Renan Pontelli (PSDB) venceu com 17.083 votos, abrindo quase dois mil votos de diferença.
Ou seja, da reeleição para a tentativa de sucessão, Aoqui já havia perdido 7.284 votos.
A aposta no voto casado com Tarcísio
Na eleição de 2026, a estratégia foi acreditar no voto casado com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A conta não fechou. Tarcísio foi um fenômeno em Tupã neste domingo e obteve 25.646 votos, 78,90% dos válidos. Se houvesse transferência automática, como imaginado por parte da coordenação de campanha, Caio Aoqui sairia de Tupã com mais de 20 mil votos e demonstraria força para negociar sua reeleição no futuro, mesmo que não garantisse a cadeira na Alesp, que exige mais de 90 mil votos no estado.
Saiu com 12.951

O dado desmonta a tese de que o voto em Tarcísio seria puxador natural de Caio. O governador fez 66,20% em 2022, o equivalente a 21.876 votos, e agora fez 78,90%. O crescimento foi por força do bolsonarismo na cidade – onde Flávio Bolsonaro (PL) teve 68,56% para presidente, com 23.559 votos contra 23,99% de Lula (PT) com 8.245 votos – e não por tração do ex-prefeito.
Haddad (PT) teve 20,73% para governador e Carlos Machado (PCB) 0,13%.
Liderou, mas pequeno
Apesar da queda, Caio Aoqui ainda liderou a disputa para deputado estadual em Tupã, com 39,31%.
Confira o ranking para a Alesp em Tupã:
Caio Aoqui (PSD): 12.951 votos
Caio França (PSB): 6.572 votos (19,95%)
Maria Eduarda Campopiano Monteiro (PL): 1.504 (4,57%)
Suélei Marjorie Gonçalves (PL): 527 (1,60%)
Alexander Muniz de Oliveira (PL): 504 (1,53%)
Carla Morando (PSD): 503 (1,53%)
Giannasi (PSOL): 494 (1,50%)
Dani Alonso (PL): 476 (1,44%)
Edson Rodrigues (PODE): 411 (1,25%)
Sofia Favero (PSOL): 297 (0,90%)
Brancos: 1.813 (5,04%) | Nulos: 1.243 (3,45%).
Mensagem aos eleitores
O ex-prefeito Caio Aoqui divulgou em suas redes sociais um comunicado dirigido aos seus eleitores observando que “se destacou na região sendo também o mais votado em diversas cidades da Alta Paulista.
Com o resultado, Tupã segue sem representante próprio na Alesp, situação que se mantém há mais de 30 anos, o que era a principal bandeira da campanha.
A campanha teve apoio declarado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve em Tupã em setembro para ato que reuniu cerca de mil pessoas e prefeitos de mais de 36 municípios.
Mesmo com a não eleição, sai fortalecido do pleito, demonstrando força política e apoio popular em Tupã e na região”, destacou.
Aos 35 anos, administrador, Aoqui construiu a trajetória política na cidade. Foi vereador, vice-prefeito e prefeito por dois mandatos. Foi a primeira disputa dele por um cargo estadual.
Para deputado federal, a cidade pulverizou:
Lucas Pavanato (PL): 4.224 (12,88%)
Luiz Carlos Motta (PL): 4.174 (12,73%)
Walter Ihoshi (PSD): 2.323 (7,08%)
Rodrigo Gambale (PODE): 1.947 (5,94%)
Eleuses Paiva (PSD): 1.109 (3,38%)
Erika Hilton (PSOL): 1.027 (3,13%)
Arlindo Chinaglia (PT): 957 (2,92%)
Otavio Gomes (PSD): 952 (2,90%)
Jefferson Campos (PL): 769 (2,35%)
Fausto Pinato (UNIÃO): 715 (2,18%)
Brancos: 1.933 (5,37%) | Nulos: 1.276 (3,54%).
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