Após denúncia de prefeito, viatura da PM retirada de Quintana reaparece
Mas chefe do Executivo vai “querer explicações sobre o caso” e promete levar denúncia contra comando do Nono Batalhão e da 2ª Cia ao governo do estado.

A viatura da Polícia Militar retirada de Quintana (SP) reapareceu no município no sábado (1), logo após a denúncia pública feita pelo prefeito Fernando Itapuã (PSD) e a publicação de reportagem do site Jota Neves “A Notícia Sobre o Fato” sobre o caso.
Mas para o chefe do Executivo, o caso não está encerrado. Em entrevista ao jornalista Toninho de Favere, da Nova Tupã 100,3 FM na segunda-feira (3), ele disse que vai “querer explicações sobre o caso” e prometeu levar a denúncia contra o comando do Nono Batalhão da PM, com sede em Marília, e da Segunda Companhia, com sede em Tupã, ao Governo do Estado de São Paulo.
O prefeito relatou que, além da retirada da viatura nova destinada pelo Governo do Estado, foi inspecionar pessoalmente o destacamento da PM e encontrou apenas uma viatura no local, sem bateria.
“Não temos PM e não temos viatura. A gente liga e demora. As cidades pequenas estão largadas. Tiraram viatura de Quintana e de Bastos. Fui lá à meia-noite e só tinha uma viatura, e estava sem bateria. Precisamos de mais atenção do comando do Nono Batalhão em Marília e da 2ª Cia aqui de Tupã”, disse Fernando Itapuã na entrevista.
Viatura de Bastos
A PM de Bastos recebeu a viatura em 26 de maio de 2023 e, no começo de 2024, ela foi retirada do município para uso de oficiais, segundo as informações.
“Com essa nova adição à frota, os policiais terão recursos modernos e maior agilidade no desempenho de suas atividades, contribuindo para a efetividade das ações de combate à criminalidade em Bastos”, havia destacado à época o prefeito Manoel Rosa (MDB), mas antes mesmo do término de seu governo, a viatura já havia sido retirada do patrulhamento rural.
O atual chefe do Executivo bastense, Kleber Lopes de Souza (PL) nunca se posicionou sobre o assunto, apesar do prejuízo à segurança da população do município, que tem como principal fonte econômica a atividade da avicultura – que cobra segurança na zona rural.
Quando a viatura foi entregue oficialmente ao município pousaram para a foto o sargento Luizetti, tenente Lisboa, Manoel Rosa e o então tenente Butarelli, hoje capitão e comandante da 2ª Companhia.
Na avaliação do prefeito Itapuã, há uma “inversão de valores” na segurança pública. “A população fica presa com muros altos, cercas elétricas e os bandidos soltos, enquanto a PM, que segundo a Constituição tem o dever e a obrigação de fazer o serviço preventivo e ostensivo não o faz por falta de efetivo e de viaturas”, afirmou.
Itapuã também rebateu a alegação de que “a PM prende e a Justiça solta”.
“Não adianta empurrar o problema para a Polícia Civil ou ao Judiciário. Cada um tem sua função. A PM prende, a Civil faz investigação e o Judiciário decide o que fazer com o acusado. Se ele for solto dez vezes é função da PM prender o marginal dez vezes. É como ir no médico. Se você não melhorar, você retorna quantas vezes forem necessárias e o médico vai te atender todas as vezes. Ou será que o médico vai reclamar com o paciente porque ele não melhorou?”, exemplificou.
O prefeito disse ainda que espera que o novo comandante da Segunda Companhia, capitão Cristiano Butarelli, aja com sabedoria e eficiência à frente da unidade, em substituição ao major Vander Zambelli. Butarelli estava em férias e retorna ao comando da Cia nesta terça-feira (4).
Atividade Delegada
Itapuã destacou que Quintana é o município que mais colabora com a Atividade Delegada na região.
No estado de São Paulo, a Atividade Delegada é um convênio entre o Governo do Estado e as prefeituras. Nele, policiais militares e civis trabalham em horários de folga para reforçar serviços como policiamento ostensivo, trânsito e fiscalização. A prefeitura paga uma gratificação diretamente aos policiais por essas horas extras. Ou seja, o município banca do próprio caixa um reforço no policiamento.
“Se nós somos os que mais colaboramos, nós temos que ter o retorno. Não dá pra tirar viatura e deixar a cidade sem proteção”, cobrou o prefeito.
Como uma liderança regional, Fernando Itapuã foi a única autoridade a reagir publicamente contra o descaso com a segurança pública. Ele levantou a voz nas críticas aos comandantes e afirmou que a situação é crítica em Quintana, Borá, Herculândia, Bastos, Iacri, Rinópolis e outras cidades menores. Saiba mais: Prefeito de Quintana “levanta a voz” e cobra PM por falta de efetivo e viaturas na região
A declaração expõe uma queixa recorrente de moradores, que alegam que as cidades de menor porte ficam em segundo plano na escala de prioridades do policiamento.
A reportagem procurou o Nono Batalhão da PM, em Marília, para comentar as declarações do prefeito de Quintana, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
A entrevista completa foi veiculada pela Nova Tupã 100,3 FM e pode ser conferida nas redes do prefeito @fernandoitapuaoficial. Ouça a entrevista
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